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Matt Damon concorre ao Oscar pela sua atuação em Invictus. No filme estrelado por Morgan Freeman e dirigido por Clint Eastwood, Matt faz um jogador de futebol.

Por afinidade ou por curiosidade graças ao caso Terry, Damon assistiu ao jogo entre Arsenal e Chelsea. Da arquibancada do Stanford Bridge, começou vendo as manifestações da torcida do Chelsea favorável ao seu capitão. Cartazes e camisetas escritas “Terry team” dominaram as câmeras de televisão, que, oportunamente, relembravam o caso de traição do zagueiro inglês. Tediante que aquele jogo não haveria de ser.

E realmente não foi. Arsenal e Chelsea fizeram em 27 minutos um jogo intenso, na definição mais cabível. Tanto que esse tempo serviu para definir o jogo. 

O Arsenal foi liquidado em 23 minutos. E jogando bem, como sempre faz.

Em um time cheio de grandes jogadores e nenhum craque, o Chelsea tem Drogba. Entre todos, é o que mais se aproxima de ser um extra-série. Se me perguntassem se ele é um, eu diria que contra o Arsenal, pelo menos, o marfinense joga como se fosse.

Drogba, encabido de decidir os jogos para o Chelsea, somou mais dois gols na conta do time londrino. Só esse ano foram 5 gols marcados contra o Arsenal, exatamente o número de gols marcados pelo seu time nos dois clássicos. As duas oportunidades que Drogba teve nesse domingo, não perdoou. O segundo, inclusive, belíssimo.

Por sua vez, o time do Arsene Wenger criou mais, fazendo-o declarar que a sua equipe merecia a vitória por ter jogado mais. Criar é fácil para Arshavin, Fábregas e Nasri, todos sabem. Porém, na hora de concluir, função que Adebayor cumpria razoavelmente (ou menos) ano passado, não existe ninguém. Bendtner entrou no segundo tempo e lutou, única ação compatível com a sua capacidade técnica.

Enquanto o Arsenal se preocupa com um futebol plástico e não contrata um goleiro e um homem-gol, o Chelsea abre dois pontos de vantagem ao Manchester e incontáveis nove em relação à equipe de Arsene Wenger. Nada contra o futebol bonito, já que o Barcelona, melhor time do mundo, dá ainda mais espetáculo. O Chelsea, longe de ser brilhante, dá resultado de outra forma, pragmática. Cada um dá resultado da sua forma e Wenger me parece ver resultado como outro objetivo. Ele quer mais é formar craques e divertir a todos.

Matt Damon é testemunha.

Por Rafael Araújo

Entretenimento da dor

Hospitais públicos têm um grande problema: muitos doentes. Quando eu digo muitos, pode imaginar cadeira faltando e gente usando o chão como maca. Mas, não, não precisa ter medo, todo mundo sobrevive bem ou mal aos pequenos males, até mesmo dentro do hospital.  

Não sou eu quem digo que há muita gente atrapalhando o bom rendimento, mas sim qualquer funcionário que te atenda. Existe remédio, cadeira, médico e bom atendimento para todo mundo, desde que não inventem de adoecer no mesmo dia. É o discurso formal do bom atendimento. Nem teime em dizer sobre as epidemias infecciosas do verão ou dos problemas respiratórios inevitáveis de inverno, o cliente público nunca tem razão. Se tivesse, pagaria por isso em algum convênio.

Você não é o cliente, você é a vítima. Lembre-se bem disso.

Em um dia comum de super-lotação, um homem inventou de ir ao hospital em estado terminal, só para atrapalhar o funcionamento. Depressão - era o que sofria, de acordo com o acompanhante tatuado.

Até quem já havia desmaiado acordou pra ver o homem. Pudera, o rapaz não pediu licença ao entrar, nem pediu por favor para que a atendente fizesse o seu cadastro. Ele gritava desesperado e não era pra ser atendido. O homem queria morrer.

Prontamente ele já foi encaminhado aos médicos de plantão. Exagero, não foi prontamente. Ele precisou antes rasgar a própria camisa e ameaçar vomitar.

Silêncio na sala de espera por poucos segundos. Comentários piedosos não demoraram para preencher o local.

Além da consulta, aquelas pessoas julgavam importante saber agora do quê o moço sofria. Todo o tipo de calamidade era comum naquele lugar, mas as tragédias envolvendo fatores não-naturais eram raras ou, pelo menos, mais interessantes.

As notícias correm rápido. Não demorou muito para uma informante vestida de branco esclarecer ao público o motivo.

Fim de relacionamento misturado com substâncias ilícitas em uma tentativa de suicídio. Por sorte, socorrida antes do efeito irreversível e da ida sem volta.

De certa forma, era melhor que a história não tivesse chegado aos pacientes. As mulheres se ocuparam em levantar possíveis motivos para o fim do relacionamento daquele que ninguém sabia sequer o nome. Os homens imploravam por justiça, apontando doentes que choravam de dor e que mereciam mais o tratamento. Segundo eles, ele quis assim e não adiantava tentar curar um chifre, pois esse seria eterno.

O hospital foi ficando ainda mais lotado. Os recém-chegados não demoravam para se atualizar do caso mais interessante daquelas horas de espera.

Lá fora, dava pra ouvir os gritos do homem que viu a sua vida trocá-lo por outro. Seu nome, seus motivos, sua mulher. Ninguém sabe de nada, mas a sua vida era o assunto da sala de espera sem tv. Ninguém sabe o seu fim.

Os homens que queriam a sua vaga, ficaram por esperar a definição do caso. Alguns – sem compaixão – desejavam que o apaixonado fosse perder a sua vida em outra freguesia. Muitos se revoltaram e pediram dispensa, antes mesmo da consulta.

Os funcionários aproveitaram a oportunidade e foram para o horário de almoço.

E as mulheres encerraram o caso, definindo que quem deveria morrer mesmo era a malvada que havia traído o moço com o mesmo acompanhante que trouxe o deprimido até lá.

Por Rafael Araújo

Fascinante mais do mesmo

Dia 28, na mesma Suíça, sede mundial da Fifa, tivemos o sorteio clássico de fim de ano da Champions League. Tradicional por ser o último post antes das férias de blogs esportivos – inclusive o deste – dessa vez, as surpresas do sorteio trouxeram situações parecidas com os anos anteriores.

Mais uma vez o Arsenal pegou um adversário inferior. O Manchester United está envolvido novamente no jogo de maior expectativa da fase. Real Madrid pega um time intermediário muito forte, fazendo muitos desacreditarem nos galácticos. E o Internazionalle enfrenta pelo segundo ano seguido um destemido time inglês.

Stuttgart x Barcelona: Melhor time da temporada passada e concorrente a qualquer título desta, o Barcelona não deve encontrar muitas dificuldades nas duas partidas. O Stuttgart conta com alguns bons jogadores (como o dispensado pelo próprio Barcelona: Hleb), mas nada assustador. Palpite: Barcelona.

Olympiacos x Bordeaux: Não se fala em outra coisa na Europa a não ser Laurent Blanc. Ele já foi apontado como substituto de vários grandes times da Europa, como Inter, Manchester e Juventus. Tudo devido ao seu feito na primeira fase da Liga, quando foi primeiro em um grupo com Bayern e Juventus. Sem contar que, hoje, é líder do francês com nove pontos de vantagem. O frágil Olympiacos de Zico merecia uma sorte melhor. Palpite: Bordeaux.

Internazionale de Milão x Chelsea: O Chelsea, apesar de alguns tropeços recentes, aparenta estar mais forte este ano. Além disso, Carlo Ancelotti é conhecido por suas conquistas na Liga. Ao meu ver, a Inter não tem time para ganhar, mas não pode ser descartado facilmente. Palpite: Chelsea (apertado).

Bayern de Munique x Fiorentina: A Fiorentina teve uma primeira fase exemplar. É um time bem arrumado, com peças interessantes, mas modesto demais para sonhar muito alto. O Bayern aparece mais forte, conseguindo até embalar uma série de bons jogos seguidos. Não sou fã do Van gaal, mas sem Ribery (machucado) e Luca Toni (pronto para ser dispensado) ele conseguiu deixar o time melhor, por incrível que pareça. Palpite: Bayern

CSKA Moscou x Sevilla: O CSKA revelou nomes interessantes para o cenário mundial, como o sérvio Krasic, o jovem tcheco Necid e o melhor de todos, o russo Dzagoev, de apenas 19 anos. O time do Sevilla não me encanta, mas é mais forte. Palpite: Sevilla.

Lyon x Real Madrid: Não me lembro a última vez que o Real passou das oitavas. Contra times fortes e contra times médios, o resultado é a eliminação faz alguns anos. Pra piorar, é o melhor time do Lyon dos últimos quatro anos. Só que tirar um time que conta com Xabi Alonso, Cristiano Ronaldo e Kaká das quartas de final beira o absurdo. Acho que o fim da maldição chegou. Palpite: Real Madrid.  

Porto x Arsenal: ao contrário do Lyon, esse é o pior Porto dos últimos anos. Só salvam-se Falcão e Cristian Rodriguez. O Arsenal deve passar sem maiores dificuldades e jogando bonito, mesmo sentindo a falta de Van Persie. Palpite: Arsenal.

Milan x Manchester United: O Manchester anda sentindo muito a falta de alguém que decida as partidas, mas ainda conta uma equipe muito bem estruturada. Já o Milan conta com vários jogadores acima da média, mas ainda tem momentos de pura desorganização em campo. O que é mais importante: tática ou talento? Eu diria que é o equilíbrio dos dois, mas como esse não joga.. Palpite: Milan.

Os jogos de ida serão 16-17 de fevereiro e 23-24 do mesmo mês. A volta será nos dias 9-10 de março e 16-17 do mesmo mês. Ou seja, as televisões terão oportunidade de cobrir mais jogos do que o habitual. Um benefício para quem gosta desse mais do mesmo mais surpreendente do mundo na sua melhor exibição: o futebol do Velho mundo.

Por Rafael Araújo

Aposta remanescente

Na época das previsões pré-Champions, eu tinha os meus motivos para achar que o Olympique de Marseille poderia surpreender no Grupo C. Razões maiores até do que a desconfiança com o trabalho repentino de Leonardo como treinador do Milan.

Uma das razões era a escolha de treinador pelo time francês. Didier Deschamps , ex-capitão da seleção francesa que ganhou a Copa de 1998, foi o responsável pelo retorno da Juventus à primeira divisão italiana. Na própria Champions, conseguiu o seu maior feito, ao levar o inexpressivo Mônaco até a final da Liga. Deschamps parecia o nome certo para o Olympique, único time francês campeão do torneio.

Outro motivo era o elenco formado. Contratações interessantes como Lucho Gonzalez, Heinze e Morientes reforçavam a minha ideia de que era possível um salto maior dentro do grupo, por mais difícil que fosse. Os rápidos Niang e Koné e mais a revelação Ben Arfa (por que é reserva?) completavam a interessante base.

Nos dois últimos jogos do time francês, contra Milan e Real Madrid, os franceses não obtiveram sucesso contra seus concorrentes diretos. Contra o Real Madrid, esbarrou no talento de Cristiano Ronaldo e no próprio desespero, já que já viera desesperado do último jogo contra o Milan.

No San Siro, o Olympique esbarrou no respeito em excesso.

Durante toda a partida, o Milan se arrastou em campo. Seedorf e Pato, essenciais, tiveram atuações apáticas. Ronaldinho Gaúcho deu a caneta mais bonita do ano, reprisada por mais de 5 minutos na televisão aberta, mas foi só isso mesmo.

Niang infernizou Oddo e, posteriormente, Abate no lado direito o tempo todo. Brandão, atacante bem discutível, perdeu as poucas chances que teve. Poucas chances que poderiam ter sido muitas, se o Olympique não tivesse perdido metade do segundo tempo esperando o Milan para o contra-ataque. Quando o Olympique acordou, com a entrada de Morientes e Ben Arfa, duas bolas acertaram a trave, mas já era tarde. O empate teve o gosto amargo da desclassificação.

O Olympique contra o Real Madrid parou em Cristiano Ronaldo. Lucho, o melhor jogador do time, perdeu um pênalti dado por Casillas, que anda em uma fase terrível. Do outro lado do grupo, o Milan fez de tudo para perder a  vaga, parando no fraco Zurich. A vitória do Milan sobre o Olympique na primeira rodada acabou pesando.

Sobrou a Liga Europa para o Olympique. Ainda consigo acreditar no sucesso o time azul de Marseille. O que pode pesar é que o time francês corre o risco de perder seu técnico, cobiçado pela seleção francesa. Na atual situação de Liverpool e Juventus, caso os franceses mantenham o treinador, não seria nenhum absurdo vê-los prosperando entre os pequenos os feitos que eu previa em meio aos grandes.

Por Rafael Araújo

A queda em um só sufixo

Teoricamente, o clássico inglês deste último domingo era tendencioso ao Liverpool. Basicamente, o cenário era bastante interessante para iniciarem a reconstrução de um ano quase perdido. Curiosamente, outra derrota veio.

Pela primeira vez na temporada, Rafa Benitez poderia contar com seu time principal, sem qualquer desfalque. Jogando em casa e com um bom retrospecto em clássicos, enfrentariam um Arsenal sem atacantes, com Arshavin improvisado como homem de área. Contando também contra o Arsenal, ainda existia o estigma de que, em momentos decisivos, o Arsenal sempre amarela, como o dicionário do futebol mesmo diz.

Em um jogo que oscilou entre bons momentos e outros mornos, o primeiro tempo foi realmente do Liverpool. As duas melhores chances foram desperdiçadas por Fernando Torres, que nada lembra o mortal e talentoso de outros tempos. No decorrer do jogo, percebeu-se que não só ele não está devendo.

O Arsenal manteve a maior posse de bola durante todo o primeiro tempo, mas só arriscou a gol uma vez, sem perigo. Arshavin, o único homem de frente da equipe na formação, simplesmente não ficava na posição. Assim, o Arsenal tocou a bola de lado durante 90 minutos. Até que Almunia, o goleiro que gosta de emoções, resolveu sair errado e entregar o primeiro gol dos reds nos pés de Kuyt: Liverpool1×0 Arsenal.

Na volta do segundo tempo, o Arsenal voltou melhor sem mudar absolutamente nada.

Fábregas e Arshavin resolveram arriscar em gol pra ver o que acontecia.

O Liverpool foi ficando acuado.

O Arsenal começou a trocar passes de lado mais perto do gol.

Nasri arrancou pela esquerda e cruzou errado para a área. Glen Johnson, lembrando os tempos de Chelsea, quando era inimigo mortal da bola, fez contra: 1×1.

Cinco minutos depois Nasri arrancou pela esquerda novamente, cruzou errado novamente e Johnson errou novamente. A bola sobrou pra Arshavin que, novamente (!), se consagrou como carrasco do Liverpool em um lindo chute no ângulo.

O Arsenal estava desmontado demais para ter jogado bem. Mas contava com Arshavin, que cumpriu bem a sua missão de desequilibrar partidas. Song Bilong foi outro que fez grande partida.

Agora, pelo lado do Liverpool, Gerrard e Fernando Torres atravessam uma fase muito ruim. Muitos associam a má fase desses jogadores à má fase do Liverpool na temporada. Fazer sentido, faz. Mas a verdadeira razão é o buraco que a saída de Xabi Alonso trouxe que nos dá.

Xabi Alonso era o principal organizador do time. Por ele que todas as jogadas começavam. Gerrard era o encarregado pelo último passe, Fernando Torres pelos gols. Sem o volante espanhol, o time inglês sofre na criação, já que não existe ninguém para iniciá-las.

A partida acabou dando esperança ao Arsenal, que continua sonhando com o título, apesar de suas deficiências. Já o Liverpool continua a sua rota de declínio, não dando nenhum sinal que a reta inclinada virá a ser uma parábola. Definitivamente.

Por Rafael Araújo

Fotos: site oficial da Premier League

Um talento apático

1-Aproveitar o máximo as dificuldades dos adversários. 2-superar as suas próprias limitações na hora do aperto. Com isso e com qualquer outro benefício que se possa ter durante a jornada - até mesmo com a arbitragem, assunto da moda – qualquer equipe pode ser considerada concorrente ao título em torneio eliminatório. De um poderoso Manchester United a um inexpressivo Once Caldas, o mata-mata é democrático.

De uma forma bem superficial, as metas do início do texto são as selecionadoras da disputa do título. Hoje, no Camp Nou, o Internazionale encarou uma grande chance de se auto-afirmar. Falhou.

De acordo com a primeira meta, a Inter tinha uma tarde perfeita. Sem Messi e Ibrahimovic e entrando em maré baixa, nunca o Barcelona esteve tão mal. Com uma vitória, a Inter praticamente garantiria a primeira colocação e ainda colocaria um favorito ao título em situação incômoda. Curiosamente, ao invés de afundar, o time de José Mourinho acabou dando uma bela mão ao adversário.

O Barcelona entrou em campo com um esquema que não é habituado jogar. De início, era um 4-4-2. O grande problema é que José Mourinho não soube aproveitar a sua grande chance do ano. Encarou o Barcelona como se fosse completo e cometeu o seu maior erro: escalou Chivu na lateral-esquerda e Thiago Motta como volante também por aquele lado. Dois jogadores completamente defensivos pelo lado em que geralmente Messi joga. Só que Messi não entrou em campo e ninguém do Barcelona estava previsto para jogar por lá.

Como Chivu e Motta não subiam, não haviam motivos para que Daniel Alves esperasse a dupla. Se mandou para o ataque. Quando se deu por si era o atacante pelo lado, infernizando o lado esquerdo italiano como se fosse Messi.

Assim, o Barcelona voltou a jogar no seu 4-3-3 habitual. Henry e Pedro se revezavam entre ponta-esquerda e área, atrapalhando a zaga de Mourinho. Xavi e Iniesta, os dois em partida espetacular, desequilibraram todo o primeiro tempo com os seus toques curtos e invertidas de bola. Com esses espanhóis em grande dia, o Barcelona sempre consegue exibir o melhor futebol do mundo brincando. 

O primeiro tempo terminou em 2×0 para o Barcelona, mas bem que poderia ser mais. Massacre era uma palavra que casava bem com o jogo. O segundo tempo veio, o ritmo do Barça diminuiu e a postura do Internazionale continuou apática, sem a menor reação.

Só que não foi apenas o lado esquerdo que estragou a partida do time. A ausência de Sneijder entra no mérito da segunda meta do início do texto. Faltava criação no meio de campo e Stankovic não rende como meia avançado. Não há nenhum reserva na posição de Sneijder no elenco, o que ameniza a culpa de Mourinho.

O problema maior é o desenho do time. O meio de campo em linha ainda é o mesmo de Roberto Mancini (tecla que eu já estou cansado de repetir). Mourinho sempre jogou de forma diferente, não entendo a razão para continuar assim. No ataque, nem Eto’o nem Milito conseguem entrar em grande fase, já que disputam entre si cada bola que recebem. Quaresma merecia uma chance, apesar de ter desperdiçado todas as inúmeras que recebeu.

Eu realmente achava o Mourinho o maior treinador do mundo. Ele tinha um estilo de jogo inconfundível, uma estrela enorme em jogos decisivos, uma vibração contagiante. Pra mim, o maior salário do mundo entre técnicos não é nenhum absurdo, já que o campeão da Champions pelo Porto sempre deu resultados, além de fazer escola no meu jeito de ver futebol.

Só que o Mourinho de hoje, não é o mesmo José que eu admirava (ainda).

Por Rafael Araújo

O sacrilégio

0,,32582361-EX,00Uma quinzena depois e o mesmo clássico tinha um clima completamente diferente do primeiro. Em Madrid, o massacre anunciado havia virado milagre. Exatamente três dias após a vitória sobre a Roma, os milaneses praticamente ressurgiram dos mortos, passando por cima da defesa galáctica como se não fossem mais corpos, mas sim espíritos.

Metáforas e hipérboles à parte, a vitória do Milan trouxe um clima de suspense extraordinário ao jogo desta quarta-feira. Dessa vez, o Real Madrid veio cambaleando e o Milan em ascenção. Mesmos atores em personagens diferentes.

0,,32585023-EXH,00Leonardo, bem mais confiante em seu cargo, enfim descobriu um melhor esquema para a equipe: 4-3-3, com Ronaldinho e Pato em cada ponta, esquerda e direita, respectivamente. Com o passar do tempo, a dependência por Pato ficou visível, mostrando ainda que o Milan não tem postura definida e que Ronaldinho Gaúcho pena em decidir se quer jogar ou não.

O Real Madrid entrou em campo bem melhor. Manuel Pellegrini corrigiu o erro das pontas da primeira partida, colocando Marcelo aberto pela esquerda, centralizando Kaká na sua posição de origem. Xabi Alonso, Diarra e os dois brasileiros conseguiram anular o meio de campo milanês e criar as melhores jogadas do primeiro tempo.

0,,32579882-EX,00Apesar do elenco espanhol conter mais opções e qualidade superior ao Milan, o Real Madrid ainda não se encontrou completamente. Cristiano Ronaldo ainda faz muita falta, Higuaín e Benzema não casam bem. É comum vê-los batendo cabeça dentro da área. Assim, apenas um consegue render bem. No caso do jogo, Benzema conseguiu e fez 1×0.

Tudo conspirava para uma vingança do Real Madrid. Em um pênalti mal marcado, o árbitro resolveu moldar o jogo de outra maneira. Ronaldinho cobrou de forma absurdamente perfeita e o gol colocou o Milan de volta ao jogo. Mas, quando Pato fez o que seria o gol mais bonito da sua carreira, o árbitro achou feio e apitou. Sem razão, sem nenhuma vergonha.

E o jogo continuou da forma que todo árbitro gosta: sem discussões, emoções moderadas e equilíbrio predominante. Um jogo brilhante acabou em pressão do Real, mas sem a mesma força inicial. Um sacrilégio com um jogo que tinha tudo para marcar história. 1×1 justo, dentro das circunstâncias.

Nada definido, mas a tensão pré-jogo não tarda em voltar. Mais uma quinzena e temos tudo novamente: mais previsões de milagres. Em um grupo indefinido, a consagração, a redenção e o desastre ainda comem juntos na mesma mesa.

Por Rafael Araújo

Fotos: Globoesporte.com

0,,30564475-EX,00Imponderável. Sempre gostei da palavra, muito antes de conhecer seu significado. Hoje, virou palavra fixa em qualquer vocabulário de treinador brasileiro. Quando o bom resultado não vem, a culpa sempre é do tal imponderável.

Acreditar no destino talvez seja questão de crença, mas questionar o imponderável é negar evidências claras. Um exemplo claro disso foi a vitória do rebaixado Corinthians contra o campeão São Paulo, no fatídico ano de 2007.

Se você tem boa memória, deve lembrar da exaltação dos ídolos Betão e Moradei depois do jogo e de como a imprensa manteve as esperanças na permanência do Corinthians na primeira divisão. Misteriosamente, o imponderável foi aprontar em outra freguesia e o Corinthians caiu.

0,,30579569-EXH,00Pois bem, quando menos se espera, tenha certeza: o imponderável sempre aparece. Ontem, ele havia dado a prévia da sua atuação de gala, com as derrotas de Liverpool e Barcelona e o empate do Internazionale. Hoje, a vez foi do Real Madrid ser surpreendido, mas não por uma zebra.

O primeiro tempo foi de total domínio do Real, o que não implicou em uma boa atuação. Apesar do maior domínio de bola, poucas chances foram criadas, quase todas em chutes de fora da área. Um pênalti claro existiu em cima de Benzema, é verdade, mas o árbitro provou sua honestidade sendo ruim para os dois lados durante o jogo.

0,,30543061-EX,00O gol só saiu por uma infelicidade inacreditável de Dida, digna de uma pelada de empresa metalúrgica. Na criação de jogadas, o Milan penava pra chegar ao ataque, apelando para chutões visando Pato e Inzaghi. Ronaldinho Gaúcho, em todo o primeiro tempo, deve ter conseguido dominar duas entre vinte bolas.

No segundo tempo, o problema do Real persistiu. Qualquer um poderia notar a falta que Cristiano Ronaldo fazia à equipe. Os dois atacantes, Raúl e Benzema, se concentravam dentro da área, obrigando os ótimos Granero e Kaká a jogarem pelas pontas, rendendo bem menos que o normal. Jogando com os seus meias deslocados de posição, o Real tinha posse de bola, mas não produzia chances claras de gol.

E o Milan que parecia morto, ressuscitou em um chute incrível de Pirlo. Chute de puro talento, mas que bem poderia ser obra do imponderável também. Depois, Casillas falhou feio e deixou o gol aberto para Pato marcar. Milan 2×1.

Drenthe, o esforçado e limitado, empatou pouco tempo depois. Manuel Pellegrini havia enxergado bem o problema do seu ataque, colocando Drenthe aberto pela esquerda, o que libertou Kaká da função. Só que o treinador merengue viu dois problemas da sua defesa o levarem a derrota.

0,,30585209-EX,00O Real Madrid só levou gol de duas formas este ano: bolas alçadas na área e em contra-ataques. O árbitro, graças ao imponderável -sempre ele - anulou o gol legítimo de cabeça feito por Thiago Silva, depois de uma confusão que gerou um soco no rosto de Raúl. Só que o árbitro não conseguiu evitar o talento de Seedorf, que lançou de forma magnífica para Pato, livre, sem muitos problemas para selar a vitória rossonera.

O Milan é o mesmo time cansado que pena no Campeonato Italiano. Mas é inegável que os seus jogadores são experientes suficientemente para serem temidos durante a Champions. No talento de Pirlo, Seedorf (o craque do time) e Pato jogos podem ser decididos.

Mesmo assim, Leonardo está longe de ser um bom treinador. O jogo ficou corrido, deixando os dois lados com as mesmas chances de vitórias. Deu sorte. Só que a sorte também é franca e pode mudar de lado. É preciso de competência para segurar a sorte. Assim, os bons costumam mudar o nome do imponderável, passando a ser chamada por “sorte de campeão”.

Por Rafael Araújo

0,,21955075-EX,00Quem esperava o confronto da rodada deve ter se envolvido pelo sono depois do almoço. Inter e Barcelona, potenciais favoritos ao título da Liga, fizeram um jogo tão morno, que até Mauro Beting soltou em meio a transmissão da Band que todos os jogos da rodada tinham algo interessante acontecendo, menos no Giuseppe Meazza.

- Não é fácil jogar contra nove jogadores dentro da área – comentou Guardiola, técnico do Barcelona, após a partida. Deixando de lado a provocação do comandante do time espanhol, ele tem certa razão. No primeiro tempo, as maiores chances foram do time espanhol, que sofria muito para entrar na área do time italiano.

A grande fase de Julio César e a boa defesa da Inter eram as únicas armas do time italiano. Tirando um lance isolado de Milito, a Inter esperava o Barcelona. Messi e Henry faziam de tudo pra municiar Ibrahimovic durante todo o primeiro tempo, mas o sueco nada conseguiu fazer contra seus ex-companheiros.

Se no segundo tempo o Inter de Milão voltou melhor, não posso relatar melhoras no jogo. As duas equipes bem que tentaram, mas nada de muito interessante aconteceu.

Uma estranha satisfação com o resultado. Isto desde cedo, do começo do segundo tempo.

0,,21955009-EX,00Dificilmente o primeiro lugar do grupo não será do Barcelona. Uma boa atuação pode ter ficado pra outrora, porém, ninguém duvida do poderio do melhor time da Europa. O resultado acabou saindo de bom tamanho, visto que o Barcelona tem todo o favoritismo para a partida de volta no Camp Nou.

O Inter deve se contentar com o segundo lugar do grupo e com o provável pentacampeonato italiano. O elenco é forte para o Calcio, mas o jejum da Champions League deve perdurar um pouco mais.

Mourinho ainda não conseguiu implantar um ritmo dinâmico em seu time. Os italianos jogam de forma pragmática, saem de forma lenta e insistem em cruzamentos. Ano passado a expectativa era até melhor, quando Ibrahimovic fazia chover, periodicamente. Mesmo assim, nada aconteceu.

Eto’o é artilheiro, mas não tem o dom do sueco. Precisa de alguém pra auxiliar ao lado. Milito joga na mesma função que o camarônes, Balotelli não me engana. Sneijder precisa honrar os euros gastos no meio. Algo de diferente precisa ser feito para que as colheitas não fiquem somente restritas à terra natal.

Por Rafael Araújo

O nascer da era

0,,21944691-EXH,00O Real Madrid começou com goleada a Copa dos Campeões. Os novos galácticos alternaram sustos com momentos tranquilos em uma partida de 7 gols. 5×2 sobre o FC Zurich, na Suíça, país dos paraísos fiscais e onde não se pode anunciar empresas de apostas, o que fez o time merengue jogar com a camisa preta “limpa”, sem anúncios.

Do lado do time suíço, o cartão de visitas já foi entregue ao mundo: será o saco de pancadas do grupos. Conseguiu assustar o Real Madrid devido a inconstância que o time vive e que deve viver até achar o rumo certo.

Não dá pra saber o que essa temporada reserva aos novos galácticos. Uma goleada contra um time como o Zurich não quer dizer nada. Os sustos podem vir até ser alertas dos maiores problemas da equipe. Em compensação, o time melhorou em vários aspectos.

0,,21945029-EX,00Cristiano Ronaldo jogou bem. Kaká não. Existe uma guerra de vaidades escondida ali, mesmo que ainda não exista faíscas no ar. Depois do gol do português, Kaká parecia estar focado a deixar o seu também, só para não ficar atrás. Acho improvável que os dois brilhem ao mesmo tempo em uma partida. O difícil será algum dos dois deixar o outro sobressair.

Xabi Alonso caiu muito bem no meio de campo. Enquanto jogava, o time jogava fácil e compacto. Só precisou sair para o time entrar em transtorno. Alguns outros ainda destoam, como Pepe e Drenthe. A titularidade de Higuaín é um tanto questionável, mesmo depois de uma temporada brilhante que o atacante veio.

Se fosse Pellegrini, montaria a equipe com estes onze: Casillas; Sérgio Ramos, Metzelder, Albiol e Marcelo; Lass Diarra, Xabi Alonso, Granero, Kaká; Cristiano Ronaldo e Benzema.

Observações: 1-Sérgio Ramos está machucado. Arbeloa quebra um galho.

2-Lass Diarra lembra Makelelé. É bem melhor que o seu xará senegalês que frequenta o banco. Só não sei quem teve a ideia de dá-lo a camisa 10. Não dá.

 3- Granero foi uma das revelações do torneio sub-20 que revelou Agüero. Junto com o argentino, chamou muito a minha atenção. Joga muito.

4- Benzema é o melhor dos atacantes. Promissor, rápido e goleador nato. Eu bem sei que Raúl não sairá, mas Higuaín, outro bom atacante, tem que sair.

5- Sou grato a toda história de Raúl Gonzalez no Real Madrid. Mas o time iria fluir melhor sem ele.

 Opções não faltam a Pellegrini, que ainda conta com Van der Vaart, Van Nistelrooy, Gago e Guti no banco. Resta saber o rumo que ele dará ao barco, e se não deixará cegar pelo brilho fusco de suas estrelas.

0,,21944282-EX,00Mais Champions League: vale destacar os tropeços de Atlético de Madrid e Juventus, ambos em casa. Principalmente o time espanhol sentirá falta desses pontos mais tarde. Ainda de surpreendente, Grafite marcou os três gols na vitória do Wolfsburg contra o CSKA, por 3×1. Em tempos que Rubens Barrichelo tem chances reais de título na Fórmula-1, Grafite também ousa me calar. De resto, a Terra continua redonda e amanhã será ontem depois de amanhã.

Por enquanto.

Por Rafael Araújo

Fotos: Globoesporte.com

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