Matt Damon concorre ao Oscar pela sua atuação em Invictus. No filme estrelado por Morgan Freeman e dirigido por Clint Eastwood, Matt faz um jogador de futebol.
Por afinidade ou por curiosidade graças ao caso Terry, Damon assistiu ao jogo entre Arsenal e Chelsea. Da arquibancada do Stanford Bridge, começou vendo as manifestações da torcida do Chelsea favorável ao seu capitão. Cartazes e camisetas escritas “Terry team” dominaram as câmeras de televisão, que, oportunamente, relembravam o caso de traição do zagueiro inglês. Tediante que aquele jogo não haveria de ser.
E realmente não foi. Arsenal e Chelsea fizeram em 27 minutos um jogo intenso, na definição mais cabível. Tanto que esse tempo serviu para definir o jogo.
O Arsenal foi liquidado em 23 minutos. E jogando bem, como sempre faz.
Em um time cheio de grandes jogadores e nenhum craque, o Chelsea tem Drogba. Entre todos, é o que mais se aproxima de ser um extra-série. Se me perguntassem se ele é um, eu diria que contra o Arsenal, pelo menos, o marfinense joga como se fosse.
Drogba, encabido de decidir os jogos para o Chelsea, somou mais dois gols na conta do time londrino. Só esse ano foram 5 gols marcados contra o Arsenal, exatamente o número de gols marcados pelo seu time nos dois clássicos. As duas oportunidades que Drogba teve nesse domingo, não perdoou. O segundo, inclusive, belíssimo.
Por sua vez, o time do Arsene Wenger criou mais, fazendo-o declarar que a sua equipe merecia a vitória por ter jogado mais. Criar é fácil para Arshavin, Fábregas e Nasri, todos sabem. Porém, na hora de concluir, função que Adebayor cumpria razoavelmente (ou menos) ano passado, não existe ninguém. Bendtner entrou no segundo tempo e lutou, única ação compatível com a sua capacidade técnica.
Enquanto o Arsenal se preocupa com um futebol plástico e não contrata um goleiro e um homem-gol, o Chelsea abre dois pontos de vantagem ao Manchester e incontáveis nove em relação à equipe de Arsene Wenger. Nada contra o futebol bonito, já que o Barcelona, melhor time do mundo, dá ainda mais espetáculo. O Chelsea, longe de ser brilhante, dá resultado de outra forma, pragmática. Cada um dá resultado da sua forma e Wenger me parece ver resultado como outro objetivo. Ele quer mais é formar craques e divertir a todos.
Matt Damon é testemunha.
Por Rafael Araújo















Uma quinzena depois e o mesmo clássico tinha um clima completamente diferente do primeiro. Em Madrid, o massacre anunciado havia virado milagre. Exatamente três dias após a vitória sobre a Roma, os milaneses praticamente ressurgiram dos mortos, passando por cima da defesa galáctica como se não fossem mais corpos, mas sim espíritos.
Leonardo, bem mais confiante em seu cargo, enfim descobriu um melhor esquema para a equipe: 4-3-3, com Ronaldinho e Pato em cada ponta, esquerda e direita, respectivamente. Com o passar do tempo, a dependência por Pato ficou visível, mostrando ainda que o Milan não tem postura definida e que Ronaldinho Gaúcho pena em decidir se quer jogar ou não.
Apesar do elenco espanhol conter mais opções e qualidade superior ao Milan, o Real Madrid ainda não se encontrou completamente. Cristiano Ronaldo ainda faz muita falta, Higuaín e Benzema não casam bem. É comum vê-los batendo cabeça dentro da área. Assim, apenas um consegue render bem. No caso do jogo, Benzema conseguiu e fez 1×0.
Imponderável. Sempre gostei da palavra, muito antes de conhecer seu significado. Hoje, virou palavra fixa em qualquer vocabulário de treinador brasileiro. Quando o bom resultado não vem, a culpa sempre é do tal imponderável.
Pois bem, quando menos se espera, tenha certeza: o imponderável sempre aparece. Ontem, ele havia dado a prévia da sua atuação de gala, com as derrotas de Liverpool e Barcelona e o empate do Internazionale. Hoje, a vez foi do Real Madrid ser surpreendido, mas não por uma zebra.
O gol só saiu por uma infelicidade inacreditável de Dida, digna de uma pelada de empresa metalúrgica. Na criação de jogadas, o Milan penava pra chegar ao ataque, apelando para chutões visando Pato e Inzaghi. Ronaldinho Gaúcho, em todo o primeiro tempo, deve ter conseguido dominar duas entre vinte bolas.
O Real Madrid só levou gol de duas formas este ano: bolas alçadas na área e em contra-ataques. O árbitro, graças ao imponderável -sempre ele - anulou o gol legítimo de cabeça feito por Thiago Silva, depois de uma confusão que gerou um soco no rosto de Raúl. Só que o árbitro não conseguiu evitar o talento de Seedorf, que lançou de forma magnífica para Pato, livre, sem muitos problemas para selar a vitória rossonera.
Quem esperava o confronto da rodada deve ter se envolvido pelo sono depois do almoço. Inter e Barcelona, potenciais favoritos ao título da Liga, fizeram um jogo tão morno, que até Mauro Beting soltou em meio a transmissão da Band que todos os jogos da rodada tinham algo interessante acontecendo, menos no Giuseppe Meazza.
Dificilmente o primeiro lugar do grupo não será do Barcelona. Uma boa atuação pode ter ficado pra outrora, porém, ninguém duvida do poderio do melhor time da Europa. O resultado acabou saindo de bom tamanho, visto que o Barcelona tem todo o favoritismo para a partida de volta no Camp Nou.
O Real Madrid começou com goleada a Copa dos Campeões. Os novos galácticos alternaram sustos com momentos tranquilos em uma partida de 7 gols. 5×2 sobre o FC Zurich, na Suíça, país dos paraísos fiscais e onde não se pode anunciar empresas de apostas, o que fez o time merengue jogar com a camisa preta “limpa”, sem anúncios.
Cristiano Ronaldo jogou bem. Kaká não. Existe uma guerra de vaidades escondida ali, mesmo que ainda não exista faíscas no ar. Depois do gol do português, Kaká parecia estar focado a deixar o seu também, só para não ficar atrás. Acho improvável que os dois brilhem ao mesmo tempo em uma partida. O difícil será algum dos dois deixar o outro sobressair.
Mais Champions League: vale destacar os tropeços de Atlético de Madrid e Juventus, ambos em casa. Principalmente o time espanhol sentirá falta desses pontos mais tarde. Ainda de surpreendente, Grafite marcou os três gols na vitória do Wolfsburg contra o CSKA, por 3×1. Em tempos que Rubens Barrichelo tem chances reais de título na Fórmula-1, Grafite também ousa me calar. De resto, a Terra continua redonda e amanhã será ontem depois de amanhã.