Na época das previsões pré-Champions, eu tinha os meus motivos para achar que o Olympique de Marseille poderia surpreender no Grupo C. Razões maiores até do que a desconfiança com o trabalho repentino de Leonardo como treinador do Milan.

Uma das razões era a escolha de treinador pelo time francês. Didier Deschamps , ex-capitão da seleção francesa que ganhou a Copa de 1998, foi o responsável pelo retorno da Juventus à primeira divisão italiana. Na própria Champions, conseguiu o seu maior feito, ao levar o inexpressivo Mônaco até a final da Liga. Deschamps parecia o nome certo para o Olympique, único time francês campeão do torneio.

Outro motivo era o elenco formado. Contratações interessantes como Lucho Gonzalez, Heinze e Morientes reforçavam a minha ideia de que era possível um salto maior dentro do grupo, por mais difícil que fosse. Os rápidos Niang e Koné e mais a revelação Ben Arfa (por que é reserva?) completavam a interessante base.

Nos dois últimos jogos do time francês, contra Milan e Real Madrid, os franceses não obtiveram sucesso contra seus concorrentes diretos. Contra o Real Madrid, esbarrou no talento de Cristiano Ronaldo e no próprio desespero, já que já viera desesperado do último jogo contra o Milan.

No San Siro, o Olympique esbarrou no respeito em excesso.

Durante toda a partida, o Milan se arrastou em campo. Seedorf e Pato, essenciais, tiveram atuações apáticas. Ronaldinho Gaúcho deu a caneta mais bonita do ano, reprisada por mais de 5 minutos na televisão aberta, mas foi só isso mesmo.

Niang infernizou Oddo e, posteriormente, Abate no lado direito o tempo todo. Brandão, atacante bem discutível, perdeu as poucas chances que teve. Poucas chances que poderiam ter sido muitas, se o Olympique não tivesse perdido metade do segundo tempo esperando o Milan para o contra-ataque. Quando o Olympique acordou, com a entrada de Morientes e Ben Arfa, duas bolas acertaram a trave, mas já era tarde. O empate teve o gosto amargo da desclassificação.

O Olympique contra o Real Madrid parou em Cristiano Ronaldo. Lucho, o melhor jogador do time, perdeu um pênalti dado por Casillas, que anda em uma fase terrível. Do outro lado do grupo, o Milan fez de tudo para perder a  vaga, parando no fraco Zurich. A vitória do Milan sobre o Olympique na primeira rodada acabou pesando.

Sobrou a Liga Europa para o Olympique. Ainda consigo acreditar no sucesso o time azul de Marseille. O que pode pesar é que o time francês corre o risco de perder seu técnico, cobiçado pela seleção francesa. Na atual situação de Liverpool e Juventus, caso os franceses mantenham o treinador, não seria nenhum absurdo vê-los prosperando entre os pequenos os feitos o que eu previa em meio aos grandes.

Por Rafael Araújo

Teoricamente, o clássico inglês deste último domingo era tendencioso ao Liverpool. Basicamente, o cenário era bastante interessante para iniciarem a reconstrução de um ano quase perdido. Curiosamente, outra derrota veio.

Pela primeira vez na temporada, Rafa Benitez poderia contar com seu time principal, sem qualquer desfalque. Jogando em casa e com um bom retrospecto em clássicos, enfrentariam um Arsenal sem atacantes, com Arshavin improvisado como homem de área. Contando também contra o Arsenal, ainda existia o estigma de que, em momentos decisivos, o Arsenal sempre amarela, como o dicionário do futebol mesmo diz.

Em um jogo que oscilou entre bons momentos e outros mornos, o primeiro tempo foi realmente do Liverpool. As duas melhores chances foram desperdiçadas por Fernando Torres, que nada lembra o mortal e talentoso de outros tempos. No decorrer do jogo, percebeu-se que não só ele não está devendo.

O Arsenal manteve a maior posse de bola durante todo o primeiro tempo, mas só arriscou a gol uma vez, sem perigo. Arshavin, o único homem de frente da equipe na formação, simplesmente não ficava na posição. Assim, o Arsenal tocou a bola de lado durante 90 minutos. Até que Almunia, o goleiro que gosta de emoções, resolveu sair errado e entregar o primeiro gol dos reds nos pés de Kuyt: Liverpool1×0 Arsenal.

Na volta do segundo tempo, o Arsenal voltou melhor sem mudar absolutamente nada.

Fábregas e Arshavin resolveram arriscar em gol pra ver o que acontecia.

O Liverpool foi ficando acuado.

O Arsenal começou a trocar passes de lado mais perto do gol.

Nasri arrancou pela esquerda e cruzou errado para a área. Glen Johnson, lembrando os tempos de Chelsea, quando era inimigo mortal da bola, fez contra: 1×1.

Cinco minutos depois Nasri arrancou pela esquerda novamente, cruzou errado novamente e Johnson errou novamente. A bola sobrou pra Arshavin que, novamente (!), se consagrou como carrasco do Liverpool em um lindo chute no ângulo.

O Arsenal estava desmontado demais para ter jogado bem. Mas contava com Arshavin, que cumpriu bem a sua missão de desequilibrar partidas. Song Bilong foi outro que fez grande partida.

Agora, pelo lado do Liverpool, Gerrard e Fernando Torres atravessam uma fase muito ruim. Muitos associam a má fase desses jogadores à má fase do Liverpool na temporada. Fazer sentido, faz. Mas a verdadeira razão é o buraco que a saída de Xabi Alonso trouxe que nos dá.

Xabi Alonso era o principal organizador do time. Por ele que todas as jogadas começavam. Gerrard era o encarregado pelo último passe, Fernando Torres pelos gols. Sem o volante espanhol, o time inglês sofre na criação, já que não existe ninguém para iniciá-las.

A partida acabou dando esperança ao Arsenal, que continua sonhando com o título, apesar de suas deficiências. Já o Liverpool continua a sua rota de declínio, não dando nenhum sinal que a reta inclinada virá a ser uma parábola. Definitivamente.

Por Rafael Araújo

Fotos: site oficial da Premier League

1-Aproveitar o máximo as dificuldades dos adversários. 2-superar as suas próprias limitações na hora do aperto. Com isso e com qualquer outro benefício que se possa ter durante a jornada - até mesmo com a arbitragem, assunto da moda – qualquer equipe pode ser considerada concorrente ao título em torneio eliminatório. De um poderoso Manchester United a um inexpressivo Once Caldas, o mata-mata é democrático.

De uma forma bem superficial, as metas do início do texto são as selecionadoras da disputa do título. Hoje, no Camp Nou, o Internazionale encarou uma grande chance de se auto-afirmar. Falhou.

De acordo com a primeira meta, a Inter tinha uma tarde perfeita. Sem Messi e Ibrahimovic e entrando em maré baixa, nunca o Barcelona esteve tão mal. Com uma vitória, a Inter praticamente garantiria a primeira colocação e ainda colocaria um favorito ao título em situação incômoda. Curiosamente, ao invés de afundar, o time de José Mourinho acabou dando uma bela mão ao adversário.

O Barcelona entrou em campo com um esquema que não é habituado jogar. De início, era um 4-4-2. O grande problema é que José Mourinho não soube aproveitar a sua grande chance do ano. Encarou o Barcelona como se fosse completo e cometeu o seu maior erro: escalou Chivu na lateral-esquerda e Thiago Motta como volante também por aquele lado. Dois jogadores completamente defensivos pelo lado em que geralmente Messi joga. Só que Messi não entrou em campo e ninguém do Barcelona estava previsto para jogar por lá.

Como Chivu e Motta não subiam, não haviam motivos para que Daniel Alves esperasse a dupla. Se mandou para o ataque. Quando se deu por si era o atacante pelo lado, infernizando o lado esquerdo italiano como se fosse Messi.

Assim, o Barcelona voltou a jogar no seu 4-3-3 habitual. Henry e Pedro se revezavam entre ponta-esquerda e área, atrapalhando a zaga de Mourinho. Xavi e Iniesta, os dois em partida espetacular, desequilibraram todo o primeiro tempo com os seus toques curtos e invertidas de bola. Com esses espanhóis em grande dia, o Barcelona sempre consegue exibir o melhor futebol do mundo brincando. 

O primeiro tempo terminou em 2×0 para o Barcelona, mas bem que poderia ser mais. Massacre era uma palavra que casava bem com o jogo. O segundo tempo veio, o ritmo do Barça diminuiu e a postura do Internazionale continuou apática, sem a menor reação.

Só que não foi apenas o lado esquerdo que estragou a partida do time. A ausência de Sneijder entra no mérito da segunda meta do início do texto. Faltava criação no meio de campo e Stankovic não rende como meia avançado. Não há nenhum reserva na posição de Sneijder no elenco, o que ameniza a culpa de Mourinho.

O problema maior é o desenho do time. O meio de campo em linha ainda é o mesmo de Roberto Mancini (tecla que eu já estou cansado de repetir). Mourinho sempre jogou de forma diferente, não entendo a razão para continuar assim. No ataque, nem Eto’o nem Milito conseguem entrar em grande fase, já que disputam entre si cada bola que recebem. Quaresma merecia uma chance, apesar de ter desperdiçado todas as inúmeras que recebeu.

Eu realmente achava o Mourinho o maior treinador do mundo. Ele tinha um estilo de jogo inconfundível, uma estrela enorme em jogos decisivos, uma vibração contagiante. Pra mim, o maior salário do mundo entre técnicos não é nenhum absurdo, já que o campeão da Champions pelo Porto sempre deu resultados, além de fazer escola no meu jeito de ver futebol.

Só que o Mourinho de hoje, não é o mesmo José que eu admirava (ainda).

Por Rafael Araújo

0,,32582361-EX,00Uma quinzena depois e o mesmo clássico tinha um clima completamente diferente do primeiro. Em Madrid, o massacre anunciado havia virado milagre. Exatamente três dias após a vitória sobre a Roma, os milaneses praticamente ressurgiram dos mortos, passando por cima da defesa galáctica como se não fossem mais corpos, mas sim espíritos.

Metáforas e hipérboles à parte, a vitória do Milan trouxe um clima de suspense extraordinário ao jogo desta quarta-feira. Dessa vez, o Real Madrid veio cambaleando e o Milan em ascenção. Mesmos atores em personagens diferentes.

0,,32585023-EXH,00Leonardo, bem mais confiante em seu cargo, enfim descobriu um melhor esquema para a equipe: 4-3-3, com Ronaldinho e Pato em cada ponta, esquerda e direita, respectivamente. Com o passar do tempo, a dependência por Pato ficou visível, mostrando ainda que o Milan não tem postura definida e que Ronaldinho Gaúcho pena em decidir se quer jogar ou não.

O Real Madrid entrou em campo bem melhor. Manuel Pellegrini corrigiu o erro das pontas da primeira partida, colocando Marcelo aberto pela esquerda, centralizando Kaká na sua posição de origem. Xabi Alonso, Diarra e os dois brasileiros conseguiram anular o meio de campo milanês e criar as melhores jogadas do primeiro tempo.

0,,32579882-EX,00Apesar do elenco espanhol conter mais opções e qualidade superior ao Milan, o Real Madrid ainda não se encontrou completamente. Cristiano Ronaldo ainda faz muita falta, Higuaín e Benzema não casam bem. É comum vê-los batendo cabeça dentro da área. Assim, apenas um consegue render bem. No caso do jogo, Benzema conseguiu e fez 1×0.

Tudo conspirava para uma vingança do Real Madrid. Em um pênalti mal marcado, o árbitro resolveu moldar o jogo de outra maneira. Ronaldinho cobrou de forma absurdamente perfeita e o gol colocou o Milan de volta ao jogo. Mas, quando Pato fez o que seria o gol mais bonito da sua carreira, o árbitro achou feio e apitou. Sem razão, sem nenhuma vergonha.

E o jogo continuou da forma que todo árbitro gosta: sem discussões, emoções moderadas e equilíbrio predominante. Um jogo brilhante acabou em pressão do Real, mas sem a mesma força inicial. Um sacrilégio com um jogo que tinha tudo para marcar história. 1×1 justo, dentro das circunstâncias.

Nada definido, mas a tensão pré-jogo não tarda em voltar. Mais uma quinzena e temos tudo novamente: mais previsões de milagres. Em um grupo indefinido, a consagração, a redenção e o desastre ainda comem juntos na mesma mesa.

Por Rafael Araújo

Fotos: Globoesporte.com

0,,30564475-EX,00Imponderável. Sempre gostei da palavra, muito antes de conhecer seu significado. Hoje, virou palavra fixa em qualquer vocabulário de treinador brasileiro. Quando o bom resultado não vem, a culpa sempre é do tal imponderável.

Acreditar no destino talvez seja questão de crença, mas questionar o imponderável é negar evidências claras. Um exemplo claro disso foi a vitória do rebaixado Corinthians contra o campeão São Paulo, no fatídico ano de 2007.

Se você tem boa memória, deve lembrar da exaltação dos ídolos Betão e Moradei depois do jogo e de como a imprensa manteve as esperanças na permanência do Corinthians na primeira divisão. Misteriosamente, o imponderável foi aprontar em outra freguesia e o Corinthians caiu.

0,,30579569-EXH,00Pois bem, quando menos se espera, tenha certeza: o imponderável sempre aparece. Ontem, ele havia dado a prévia da sua atuação de gala, com as derrotas de Liverpool e Barcelona e o empate do Internazionale. Hoje, a vez foi do Real Madrid ser surpreendido, mas não por uma zebra.

O primeiro tempo foi de total domínio do Real, o que não implicou em uma boa atuação. Apesar do maior domínio de bola, poucas chances foram criadas, quase todas em chutes de fora da área. Um pênalti claro existiu em cima de Benzema, é verdade, mas o árbitro provou sua honestidade sendo ruim para os dois lados durante o jogo.

0,,30543061-EX,00O gol só saiu por uma infelicidade inacreditável de Dida, digna de uma pelada de empresa metalúrgica. Na criação de jogadas, o Milan penava pra chegar ao ataque, apelando para chutões visando Pato e Inzaghi. Ronaldinho Gaúcho, em todo o primeiro tempo, deve ter conseguido dominar duas entre vinte bolas.

No segundo tempo, o problema do Real persistiu. Qualquer um poderia notar a falta que Cristiano Ronaldo fazia à equipe. Os dois atacantes, Raúl e Benzema, se concentravam dentro da área, obrigando os ótimos Granero e Kaká a jogarem pelas pontas, rendendo bem menos que o normal. Jogando com os seus meias deslocados de posição, o Real tinha posse de bola, mas não produzia chances claras de gol.

E o Milan que parecia morto, ressuscitou em um chute incrível de Pirlo. Chute de puro talento, mas que bem poderia ser obra do imponderável também. Depois, Casillas falhou feio e deixou o gol aberto para Pato marcar. Milan 2×1.

Drenthe, o esforçado e limitado, empatou pouco tempo depois. Manuel Pellegrini havia enxergado bem o problema do seu ataque, colocando Drenthe aberto pela esquerda, o que libertou Kaká da função. Só que o treinador merengue viu dois problemas da sua defesa o levarem a derrota.

0,,30585209-EX,00O Real Madrid só levou gol de duas formas este ano: bolas alçadas na área e em contra-ataques. O árbitro, graças ao imponderável -sempre ele - anulou o gol legítimo de cabeça feito por Thiago Silva, depois de uma confusão que gerou um soco no rosto de Raúl. Só que o árbitro não conseguiu evitar o talento de Seedorf, que lançou de forma magnífica para Pato, livre, sem muitos problemas para selar a vitória rossonera.

O Milan é o mesmo time cansado que pena no Campeonato Italiano. Mas é inegável que os seus jogadores são experientes suficientemente para serem temidos durante a Champions. No talento de Pirlo, Seedorf (o craque do time) e Pato jogos podem ser decididos.

Mesmo assim, Leonardo está longe de ser um bom treinador. O jogo ficou corrido, deixando os dois lados com as mesmas chances de vitórias. Deu sorte. Só que a sorte também é franca e pode mudar de lado. É preciso de competência para segurar a sorte. Assim, os bons costumam mudar o nome do imponderável, passando a ser chamada por “sorte de campeão”.

Por Rafael Araújo

0,,21955075-EX,00Quem esperava o confronto da rodada deve ter se envolvido pelo sono depois do almoço. Inter e Barcelona, potenciais favoritos ao título da Liga, fizeram um jogo tão morno, que até Mauro Beting soltou em meio a transmissão da Band que todos os jogos da rodada tinham algo interessante acontecendo, menos no Giuseppe Meazza.

- Não é fácil jogar contra nove jogadores dentro da área – comentou Guardiola, técnico do Barcelona, após a partida. Deixando de lado a provocação do comandante do time espanhol, ele tem certa razão. No primeiro tempo, as maiores chances foram do time espanhol, que sofria muito para entrar na área do time italiano.

A grande fase de Julio César e a boa defesa da Inter eram as únicas armas do time italiano. Tirando um lance isolado de Milito, a Inter esperava o Barcelona. Messi e Henry faziam de tudo pra municiar Ibrahimovic durante todo o primeiro tempo, mas o sueco nada conseguiu fazer contra seus ex-companheiros.

Se no segundo tempo o Inter de Milão voltou melhor, não posso relatar melhoras no jogo. As duas equipes bem que tentaram, mas nada de muito interessante aconteceu.

Uma estranha satisfação com o resultado. Isto desde cedo, do começo do segundo tempo.

0,,21955009-EX,00Dificilmente o primeiro lugar do grupo não será do Barcelona. Uma boa atuação pode ter ficado pra outrora, porém, ninguém duvida do poderio do melhor time da Europa. O resultado acabou saindo de bom tamanho, visto que o Barcelona tem todo o favoritismo para a partida de volta no Camp Nou.

O Inter deve se contentar com o segundo lugar do grupo e com o provável pentacampeonato italiano. O elenco é forte para o Calcio, mas o jejum da Champions League deve perdurar um pouco mais.

Mourinho ainda não conseguiu implantar um ritmo dinâmico em seu time. Os italianos jogam de forma pragmática, saem de forma lenta e insistem em cruzamentos. Ano passado a expectativa era até melhor, quando Ibrahimovic fazia chover, periodicamente. Mesmo assim, nada aconteceu.

Eto’o é artilheiro, mas não tem o dom do sueco. Precisa de alguém pra auxiliar ao lado. Milito joga na mesma função que o camarônes, Balotelli não me engana. Sneijder precisa honrar os euros gastos no meio. Algo de diferente precisa ser feito para que as colheitas não fiquem somente restritas à terra natal.

Por Rafael Araújo

0,,21944691-EXH,00O Real Madrid começou com goleada a Copa dos Campeões. Os novos galácticos alternaram sustos com momentos tranquilos em uma partida de 7 gols. 5×2 sobre o FC Zurich, na Suíça, país dos paraísos fiscais e onde não se pode anunciar empresas de apostas, o que fez o time merengue jogar com a camisa preta “limpa”, sem anúncios.

Do lado do time suíço, o cartão de visitas já foi entregue ao mundo: será o saco de pancadas do grupos. Conseguiu assustar o Real Madrid devido a inconstância que o time vive e que deve viver até achar o rumo certo.

Não dá pra saber o que essa temporada reserva aos novos galácticos. Uma goleada contra um time como o Zurich não quer dizer nada. Os sustos podem vir até ser alertas dos maiores problemas da equipe. Em compensação, o time melhorou em vários aspectos.

0,,21945029-EX,00Cristiano Ronaldo jogou bem. Kaká não. Existe uma guerra de vaidades escondida ali, mesmo que ainda não exista faíscas no ar. Depois do gol do português, Kaká parecia estar focado a deixar o seu também, só para não ficar atrás. Acho improvável que os dois brilhem ao mesmo tempo em uma partida. O difícil será algum dos dois deixar o outro sobressair.

Xabi Alonso caiu muito bem no meio de campo. Enquanto jogava, o time jogava fácil e compacto. Só precisou sair para o time entrar em transtorno. Alguns outros ainda destoam, como Pepe e Drenthe. A titularidade de Higuaín é um tanto questionável, mesmo depois de uma temporada brilhante que o atacante veio.

Se fosse Pellegrini, montaria a equipe com estes onze: Casillas; Sérgio Ramos, Metzelder, Albiol e Marcelo; Lass Diarra, Xabi Alonso, Granero, Kaká; Cristiano Ronaldo e Benzema.

Observações: 1-Sérgio Ramos está machucado. Arbeloa quebra um galho.

2-Lass Diarra lembra Makelelé. É bem melhor que o seu xará senegalês que frequenta o banco. Só não sei quem teve a ideia de dá-lo a camisa 10. Não dá.

 3- Granero foi uma das revelações do torneio sub-20 que revelou Agüero. Junto com o argentino, chamou muito a minha atenção. Joga muito.

4- Benzema é o melhor dos atacantes. Promissor, rápido e goleador nato. Eu bem sei que Raúl não sairá, mas Higuaín, outro bom atacante, tem que sair.

5- Sou grato a toda história de Raúl Gonzalez no Real Madrid. Mas o time iria fluir melhor sem ele.

 Opções não faltam a Pellegrini, que ainda conta com Van der Vaart, Van Nistelrooy, Gago e Guti no banco. Resta saber o rumo que ele dará ao barco, e se não deixará cegar pelo brilho fusco de suas estrelas.

0,,21944282-EX,00Mais Champions League: vale destacar os tropeços de Atlético de Madrid e Juventus, ambos em casa. Principalmente o time espanhol sentirá falta desses pontos mais tarde. Ainda de surpreendente, Grafite marcou os três gols na vitória do Wolfsburg contra o CSKA, por 3×1. Em tempos que Rubens Barrichelo tem chances reais de título na Fórmula-1, Grafite também ousa me calar. De resto, a Terra continua redonda e amanhã será ontem depois de amanhã.

Por enquanto.

Por Rafael Araújo

Fotos: Globoesporte.com

article-0-064E5151000005DC-359_468x351Maradona bem que tentou. Invocou Che Guevara e a si mesmo, lotando um estádio mais acanhado. Fez da área verde uma arena; um local mais denso, mais argentino. A esperança argentina foi jogada aos leões.

Leões de pêlo bicolor, verde e amarelo, vindos da mata tropical do norte. Animal conhecido por todos que ali pediam sangue. A esperança jorrou sangue. A tragédia mudou de lado e o espetáculo circense já pede a cabeça de Maradona.

Um jogo previsível, primeiro tempo morno. Nenhuma mudança tática no time do Dunga. Nenhum esquema tático por parte de Diego Armando Maradona.

Elano, que é convocado somente pra cobrar faltas, mais uma vez gerou um gol. Gol de Luizão, o zagueiro reserva. Pouco depois, Luis Fabiano também fez um.

Diego-Maradona-001A Argentina ainda vive em fartura de craques. O problema está concentrado na zaga – horrenda – e na falta de organização. Maradona abdica de jogar com um homem de área, tendo Lisandro Lopez, Agüero e Milito no banco. A zaga é completamente lenta, com laterais em fim de carreira e zagueiros como Sebá. Maradona confia mais no seu carisma do que em seu time.

A seleção brasileira é forte com Dunga. Não é boa, quer dizer, eu não considero boa. Hoje, apostaria meu dinheiro no time de Dunga para a conquista da Copa do mundo, mesmo discordando de algumas posições e do modo que a equipe se apresenta.

0,,21863970-EX,00Kaká é a grande estrela. Um jogador em êxtase, decisivo. Essencial na equipe, é ele que puxa os contra-ataques, única maneira com que a equipe sai para o jogo. Com um meio de campo apenas marcador, a seleção é dependente das arrancadas do jogador do Real Madrid. Dunga tem imensa sorte justamente por Kaká ser quem é.

A imagem que deve ficar na lembrança de todos é a expressão de Maradona, após o terceiro gol brasileiro. Nada melhor simboliza um fracassso e uma glória tão grandes como as de Argentina e Brasil, respectivamente.

Maradona está precisando novamente de uma mão divina.

Por Rafael Araújo

0,,21797533-EX,00Torcer para o Arsenal é um paradoxo. Se por um lado é um grande prazer assistir ao jogos da equipe, ao mesmo é uma grande angústia. Joga-se bem, mas os títulos teimam em não vir. Desde o desmanche da geração de Henry, nenhum título signficante foi ganho. Até agora, nenhuma Champions League apareceu na sala de troféus do clube. Mesmo assim, futebol bonito nunca faltou. A plástica parece não querer casar com a eficiência.

É verdade que os jogos do Arsenal têm algo a mais. O jogo é mais corrido, mais jogado. Assim como foi no clássico contra o Manchester. Mesmo com o mando pertecente aos reds, o Arsenal dominou a partida desde o início. Enquanto isso, o United penava em sair para o jogo, mesmo com 5 jogadores no meio. Rooney, sozinho na frente, assistia ao clube londrino dominar a partida.

As chances iam nascendo aos poucos. Van Persie teve um chute certeiro interrompido por Evra. Arshavin sofrera pênalti minutos depois. Pelo bem do clássico, logo em seguida, o russo, que estivera apagado até então, recebeu de fora da área e chutou no ângulo, fazendo valer seu preço e status como ídolo.

Arsene_Wenger_Manchester_United_Arsenal_Premi_783784O Arsenal voltou do intervalo com a mesmo domínio do jogo. A vantagem, que parecia estar consolidada, foi demolida por um pênalti mal marcado pelo árbitro. O gol de Rooney, não só completou a injustiça, como ajudou a esclarecer o que impede o Arsenal de sonhar mais alto.

O Arsenal criou as melhores chances, sendo superior em todos os setores do campo. Mas sentia muita dificuldade em finalizar em gol suas inúmeras chances. Motivos não faltam pra explicar a falha, a ausência de Fábregas é a mais usada como desculpa. Mas outros fatos ajudam a explicar isso:

  • As jogadas são muito enfeitadas, provando a inexperiência do grupo, que prefere muitas vezes o drible ao chute. 
  • O talento de Arshavin não pode ser limitado ao lado esquerdo do campo, o russo jogaria bem mais centralizado, como meia de ligação.
  • Van Persie, esse sim, é ponta, mas está jogando de centroavante, justamente pela equipe não ter um homem-gol.

Um motivo leva ao outro. E todos eles acabam levando em derrota nos jogos mais decisivos.

O Manchester se encontra em reformulação após a saída de Cristiano Ronaldo. A equipe mal conseguia sair jogando. Foi presenteada por uma má atuação do árbitro e por um gol-contra inacreditável feito por Diaby, superando em muito o feito por Oséias, no clássico Palmeiras e Corinthians, em 1998.

A derrota do Arsenal pode ser vista como injustiça por dois motivos: pela arbitragem, e pelo jogo em si, visto que o Manchester foi dominado em pleno Old Trafford. Alguns torcedores consideraram uma injustiça o gol bem anulado, no último minuto, anotado pelo impedido Van Persie. No futebol, clamam por justiça, mas, no fundo, todo mundo senta no banco dos réus. E não se sabe se o juiz não viu, ou se o ladrão é ele.

Por Rafael Araújo

0,,21777110-EX,00Ontem, o Principado de Mônaco foi sede do sorteio de grupos mais aguardado do ano. 32 clubes, em oito chaves, dão início à luta pelo título do torneio de clubes mais qualificado de todo o mundo.

Sem nenhum grupo da morte, o sorteio marcou o reencontro de Kaká com o Milan e o duelo entre Ibrahimovic e Eto’o, que substituíram um ao outro, respectivamente, no Barcelona e na Inter de Milão.

Grupo A: Bayern de Munique, Juventus, Bordeaux e Maccabi Haifa.

O acaso fez um grande favor a Juventus de Turim. Depois de uma temporada na segunda divisão e uma volta discreta, novamente tem a chance de se mostrar grande. Com bons reforços, tem tudo pra ser primeiro no grupo. O Bayern, mesmo com Ribery, começa o ano em reformulação, com um treinador muito duvidoso (Van Gaal) e jogadores mais incertos ainda (Mario Gomez, Olic, Plajinic). O Bourdeax, campeão francês e com Gourcouff jogando muito, deve faturar a segunda colocação.

Prováveis classificados: Juventus e Bourdeax. Copa da Uefa: Bayern.

Grupo B: Manchester United, CSKA Moscou, Besiktas, Wolfsburg.

O melhor grupo, pra mim.O Manchester continua forte e deve passar em primeiro. A briga fica pelo segundo lugar, onde o Wolfsburg desponta como favorito. Porém, o CSKA é um dos times mais enjoados da Europa, que consegue ganhar quando ninguém acredita e perder campeonatos ganhos. O Besiktas é forte na Turquia e com Nihat, ex-Vilarreal, comandando o time.

Prováveis classificados: Manchester e Wolfsburg. Copa da Uefa: CSKA.

Grupo C: Milan, Real Madrid, Olympique de Marselha, Zürich

kaka-real1O grupo é relativamente forte e complicado. Em nenhuma previsão é comum tirar alguma força do tamanho de Milan e Real Madrid. Por incrível que pareça, o Olympique pode conseguir essa proeza. Com Didier Deschamps no comando, Lucho Gonzales no meio e Morientes no ataque, o time francês não pode ser descartado facilmente. Do lado do Milan, a renovação não aconteceu e a pré-temporada foi frustrante, caindo todo o peso nas costas de Ronaldinho Gaúcho, um jogador já satisfeito por tudo que conseguiu. Já o Real Madrid vem forte com a nova onda de galácticos, sendo favorito óbvio ao título. O difícil será superar a síndrome recente de sempre perder nas oitavas.

Próvaveis classificados: Real Madrid e Olympique de Marselha. Copa da Uefa: Milan.

 Grupo D: Chelsea, Porto, Atlético de Madrid, APOEL

Carlo_Ancelotti__AC_192968cCarlo Ancelotti é um senhor no torneio. Campeão duas vezes, deve ser líder deste bom grupo. Atlético de Madrid, com Forlán e Aguero no ataque, tem time pra não fazer feio na competição. O Porto, que perdeu suas maiores estrelas, os argentinos Lisandro López e Lucho González, aparece muito mais fraco. A esperança fica voltada em Hulk, o que não me anima.

Prováveis classificados: Chelsea, Atlético de Madrid. Copa da Uefa: Porto.

Grupo E: Liverpool, Lyon, Fiorentina, Debreceni

Apesar do mau começo na Premier League, o Liverpool é sempre candidato a título da Liga. O Lyon empolgou na pré-temporada, Michel Bastos e Lisando López prometem. A Fiorentina espera que Frey salve lá atrás, e que Mutu encante na frente. Gilardino continua fazendo os seus golzinhos, mas sem chegar ao ponto de me convencer.

Próvaveis classificados: Liverpool e Lyon. Copa da Uefa: Fiorentina

Grupo F: Barcelona, Internazionale, Dynamo Kiev, Rubin Kazan

Barcelona e Inter prometem fazer o melhor duelo da fase de grupos. O Rubin é líder do Russo, podendo surpreender e conseguir a vaga pra Copa da Uefa.

Prováveis classificados: Barcelona e Inter. Copa da Uefa: Rubin.

Grupo G: Sevilla, Rangers, Stuttgart, Unirea Urziceni

O grupo mais fraco da competição. O Sevilla deve ser o primeiro do grupo. O Stuttgart conta com Hleb, que renegou a Inter e o Barcelona só pra voltar pra Alemanha. Em um grupo desses, sua estrela tem consideráveis chances de brilhar como se estivesse em Barcelona ou Milão.

Prováveis classificados: Sevilla e Stuttgart. Copa da Uefa: Rangers.

 Grupo H: Arsenal, AZ, Olympiacos, Standard Liège

p_arsene_wenger_2A sorte do Arsenal em sorteios já é característica. Todo ano, não importa como o time esteja, um grupo fácil cai no colo de Arsene Wenger. Curiosamente, esse é o único título que os gunners ainda não têm. O AZ, campeão holandês, pode fazer muito bonito esta temporada. E o Olympiacos, dos brasileiros Diogo e Leonardo, ambos gratas revelações da Portuguesa, deve ir pra Copa da Uefa.

Próvaveis classificados: Arsenal e AZ. Copa da Uefa: Olympiakos.

Com palpites até arriscados demais (tirar o Milan da segunda fase), prefiro me conter quanto aos candidatos diretos ao título. A temporada sequer começou para várias equipes e elencos ainda estão sendo formados, impossibilitando qualquer análise.

O torneio começa nos dias 15 e 16 de setembro, já com o confronto entre Inter e Barcelona, no Giuseppe Meazza. O melhor já está por vir.

Por Rafael Araújo

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  • RT @oclebermachado: Nas minhas férias, palestrarei em Copenhague sobre a possibilidade de o clima no mundo mudar. Ou não. 3 days ago