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020400780-exh001Existem palavras que perdem o significado do dicionário quando chegam no futebol. Se você procurar no dicionário o que é um clássico, na melhor das hipóteses, achará o significado “tradicional” pra explicar o que são realmente esses jogos. Muito pouco pra quem conhece os tais, muito pouco pra quem assistiu no domingo o clássico paulista.

Equilíbrio durante a primeira etapa, domínio alvinegro no segundo tempo. Um goleiro irreconhecível assustou de um lado, enquanto Ronaldo Nazário não assustava ninguém do outro. O consagrado ídolo do jogo foi quem deu mal exemplo pras criancinhas. ”Improvável” talvez seja um sinônimo que o Aurélio esqueceu de citar no verbete já citado desde o iníco do post.

Naquelas conversas de espera de um clássico cheguei a dizer, mais brincando do que sério, que quem decidiria o jogo seria o André Dias. Ando fraco de palpites ultimamente, mas, de fato, acertei pela metade a previsão. André Dias foi fundamental no jogo, ou melhor, sua saída foi.

020400776-exh00Ontem, o excelente conjunto não foi mais o mesmo sem André Dias. Ainda com o zagueiro, o jogo era igual, brigado e com condições e oportunidades proporcionais dos dois lados. A eficiente e velha bola parada do time tricolor já tinha resultado em gol ao time tricolor. Pelo lado dos mandantes, o surpreendente Elias resolvera sozinho e igualara, 1×1.

No segundo tempo, a superioridade numérica prevaleceu. Com um lado direito desguarnecido desde a primeira etapa, o São Paulo pouco podia fazer com os avanços constantes de André Santos. O time de Muricy recuou, esperando aguentar até o final. Rogério Ceni cambaleava, mas a bola só foi entrar nos últimos segundos. Atraso pra nenhum corintiano botar defeito. 020400772-exh00

A única baixa da partida, que na verdade é bem pessoal, foi o desempenho de Ronaldo. O atacante não perdeu o domínio da bola em nenhum momento, o que mostra que o problema não é talento. O problema é o corpo que não responde do jeito que deveria, é o peso que não o deixa sair antes de vários o cercarem.

Ronaldo até disse no final do jogo que o São Paulo beira a perfeição. Avaliando pela defesa, setor que encarou Ronaldo, o fenômeno não disse nenhuma mentira. A perfeição é tão cabível, que o sistema fez antagonizar o verbo de Ronaldo e o fazê-lo virar pretérito em pleno campo.

Ronaldo sumiu.

Por Rafael Araújo

fu121802113Poderia ser bem pior se Borges não tivesse feito o belo gol no final do jogo. Mesmo com pleno domínio do jogo, por pouco o São Paulo não começa a competição favorita dos seus torcedores com derrota.

Hoje, os comentários da imprensa apontavam o belo posicionamento do time visitante como principal razão para o empate. Os colombianos pensaram muito bem e ficaram atrás o jogo inteiro, contando ainda com a perfeita atuação do seu goleiro, Bobadilla. Mas o que eles fizeram não é muito difícil de se fazer e pode ser repetido por todos os outros times que enfrentarem o São Paulo no Morumbi.

Na Libertadores do ano passado era a mesma coisa, o time dominava o jogo durante as duas etapas, mas só no final dos jogos no Morumbi saía um gol de Adriano ou Borges. Culpavam Adriano por isso, dizendo que a equipe priorizava os cruzamentos na área para a grande estrela da equipe na época. O São Paulo acabou sendo desclassificado pelo Fluminense no Maracanã, o que poderia ter sido evitado se a equipe paulista matasse o jogo em São Paulo.

O padrão de jogo de ontem me lembrou o do ano passado, com a diferença que a equipe está chutando muito mais ao gol. Com a atuação brilhante do goleiro adversário e muita gente na área, os chutes de fora e os cruzamentos custavam em resultar em gol. O São Paulo só foi realmente jogar bem, com a entrada de Dagoberto que caía muito bem pelas duas pontas.

Não adianta pressionar uma equipe recuada somente pelo meio. Pode resultar em gol, claro, mas geralmente esses saem por erros individuais e não por merecimento. Jogando pelas pontas fica muito mais fácil. Atualmente, a equipe de Muricy não tem alas que se apresentam ao ataque, tanto Zé Luis como Jorge Wágner dificilmente chegam à linha de fundo, o que diminui bastante as opções de ataque. Só foi Dagoberto cair pelos lados, que a defesa colombiana foi começando a se abrir e as melhores oportunidades surgiram.

fu1218021111Eu gosto do time titular montado pelo Muricy jogando fora de casa. Os dois centroavantes na área preocupam bastante a defesa adversária e o meio-de-campo pegador deixa o time mais compacto pra sair no contra-ataque. Porém, em casa não me agrada. Com Washington e Borges na frente, é preciso de opções pela ponta. Colocar Dagoberto e apostar em três atacantes é suicídio. O certo seria colocar os excelentes alas do banco no time titular (Wágner Diniz e Jr. César) que são alas de ofício. Caso não queira abdicar dos dois alas titulares, a solução seria tirar um dos centroavantes pra colocar Dagoberto. O que não pode é deixar o time atacando somente pelo meio.

Não entendi até agora a substituição do Zé Luis pelo Arouca (No Fluminense, Arouca já jogou na posição, mas isso acontecia quando Renato Gaúcho partia pro desespero e colocava um atacante no lugar de Gabriel. Quando isso acontecia, Arouca ia pra lateral pra ficar mais atrás, liberando Jr.César pra atacar do outro lado. Sendo que Jorge Wágner não sobe e não subiu, pra que Arouca entrou?).

Pensando pelo volume de jogo que Muricy falou após o jogo, é certo dizer que o São Paulo jogou bem. Mas ainda falta mais jogadas pelos lados do campo e um melhor aproveitamento dos ótimos jogadores que estão no banco pro Sâo Paulo engrenar. Será que todos os anos o São Paulo só vai jogar bem no Brasileirão?

Ainda aposto no São Paulo como maior favorito para a conquista dessa Libertadores. Mesmo com André Lima no elenco.

Por Rafael Araújo

69588_9261Com esse enredo vive novamente Borges. Seus gols novamente não bastam para que ele consiga a posição de titular no time de São Paulo. Ano passado o gigante era Adriano, esse ano é Washington. Borges, hoje, cansou disso e resolver falar que não aguenta mais e que quer reconhecimentos pelos gols feitos. Sobrou até para Washington que fez um bom primeiro tempo ao seu lado no jogo de ontem.

Primeiro veio o discurso prepotente de que ele não precisa provar mais nada.

 -Acho que não tenho que provar mais nada. Em 2007, fui artilheiro da equipe. Em 2008, fui artilheiro da equipe. Vai ano e vem ano e ainda tenho que ficar provando. Isso até cansa. Se for artilheiro de novo este ano, ano que vem chega outro atacante e vou ter que provar de novo que posso jogar – afirmou em entrevista à “Rádio Jovem Pan”. 

Esse papo de que não precisa provar mais nada, cairia bem se fosse declaração do Pelé ou do Maradona. Eles não têm que provar mais nada. Mas Borges ainda é jogador profissional, e enquanto continuar sendo, precisa provar seu potencial pra merecer jogar no São Paulo. Se ele não fizer, Muricy terá mais um motivo pra tirá-lo do time.

Borges é um bom jogador, o atacante que melhor sabe fazer a função de pivô no Brasil, como o seu próprio treinador já disse. Mas não é craque e nunca será unanimidade. Borges é um batalhador em campo e isso o faz eficiente. O apelido de “trabalhador” é mais do que justo.

Mas hoje Borges perdeu a razão. Se tivesse ficado quieto, seria bem melhor pra todos. Declarou todo o seu ciúme de Washington para a rádio “Jovem Pan”.

- O São Paulo tem uma equipe que foi campeã e não tinha Washington. Era Dagoberto e Borges e merecemos mais respeito. Sempre que precisou, a gente apareceu. Lógico que ele começou bem, fazendo gol, mas o Dagoberto e o Borges vão brigar pela posição- disse o atacante na sua atrapalhada entrevista.

E ainda pediu reconhecimento logo em seguida.  399414

-Fico um pouco triste porque o reconhecimento sempre demora. Vários jogadores já me disseram que se eu fizesse em outro clube o que fiz no São Paulo, seria idolatrado - falou o magoado atacante. 

Alguém precisa avisar Borges que não vai ser reclamando que ele vai conquistar seu espaço, muito menos desmerecendo o seu companheiro de equipe. Muricy não vai colocar Borges e Dagoberto porque Borges pediu publicamente. Ele é treinador e sabe muito bem o que espera do seu ataque e quais homens fazem melhor esse papel. O gigante Washington continuará fazendo gols, cabe a Borges também fazer isso.

É melhor Borges pedir desculpas publicamente a Washington. Ele não conquistará o tão desejado reconhecimento assim. A única forma de ser reconhecido e titular absoluto, é fazer o que ele mais sabe fazer e que andava fazendo: trabalhar.

Por Rafael Araújo

Fotos e entrevistas: Globoesporte.com

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