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Uma quinzena depois e o mesmo clássico tinha um clima completamente diferente do primeiro. Em Madrid, o massacre anunciado havia virado milagre. Exatamente três dias após a vitória sobre a Roma, os milaneses praticamente ressurgiram dos mortos, passando por cima da defesa galáctica como se não fossem mais corpos, mas sim espíritos.
Metáforas e hipérboles à parte, a vitória do Milan trouxe um clima de suspense extraordinário ao jogo desta quarta-feira. Dessa vez, o Real Madrid veio cambaleando e o Milan em ascenção. Mesmos atores em personagens diferentes.
Leonardo, bem mais confiante em seu cargo, enfim descobriu um melhor esquema para a equipe: 4-3-3, com Ronaldinho e Pato em cada ponta, esquerda e direita, respectivamente. Com o passar do tempo, a dependência por Pato ficou visível, mostrando ainda que o Milan não tem postura definida e que Ronaldinho Gaúcho pena em decidir se quer jogar ou não.
O Real Madrid entrou em campo bem melhor. Manuel Pellegrini corrigiu o erro das pontas da primeira partida, colocando Marcelo aberto pela esquerda, centralizando Kaká na sua posição de origem. Xabi Alonso, Diarra e os dois brasileiros conseguiram anular o meio de campo milanês e criar as melhores jogadas do primeiro tempo.
Apesar do elenco espanhol conter mais opções e qualidade superior ao Milan, o Real Madrid ainda não se encontrou completamente. Cristiano Ronaldo ainda faz muita falta, Higuaín e Benzema não casam bem. É comum vê-los batendo cabeça dentro da área. Assim, apenas um consegue render bem. No caso do jogo, Benzema conseguiu e fez 1×0.
Tudo conspirava para uma vingança do Real Madrid. Em um pênalti mal marcado, o árbitro resolveu moldar o jogo de outra maneira. Ronaldinho cobrou de forma absurdamente perfeita e o gol colocou o Milan de volta ao jogo. Mas, quando Pato fez o que seria o gol mais bonito da sua carreira, o árbitro achou feio e apitou. Sem razão, sem nenhuma vergonha.
E o jogo continuou da forma que todo árbitro gosta: sem discussões, emoções moderadas e equilíbrio predominante. Um jogo brilhante acabou em pressão do Real, mas sem a mesma força inicial. Um sacrilégio com um jogo que tinha tudo para marcar história. 1×1 justo, dentro das circunstâncias.
Nada definido, mas a tensão pré-jogo não tarda em voltar. Mais uma quinzena e temos tudo novamente: mais previsões de milagres. Em um grupo indefinido, a consagração, a redenção e o desastre ainda comem juntos na mesma mesa.
Por Rafael Araújo
Fotos: Globoesporte.com
Imponderável. Sempre gostei da palavra, muito antes de conhecer seu significado. Hoje, virou palavra fixa em qualquer vocabulário de treinador brasileiro. Quando o bom resultado não vem, a culpa sempre é do tal imponderável.
Acreditar no destino talvez seja questão de crença, mas questionar o imponderável é negar evidências claras. Um exemplo claro disso foi a vitória do rebaixado Corinthians contra o campeão São Paulo, no fatídico ano de 2007.
Se você tem boa memória, deve lembrar da exaltação dos ídolos Betão e Moradei depois do jogo e de como a imprensa manteve as esperanças na permanência do Corinthians na primeira divisão. Misteriosamente, o imponderável foi aprontar em outra freguesia e o Corinthians caiu.
Pois bem, quando menos se espera, tenha certeza: o imponderável sempre aparece. Ontem, ele havia dado a prévia da sua atuação de gala, com as derrotas de Liverpool e Barcelona e o empate do Internazionale. Hoje, a vez foi do Real Madrid ser surpreendido, mas não por uma zebra.
O primeiro tempo foi de total domínio do Real, o que não implicou em uma boa atuação. Apesar do maior domínio de bola, poucas chances foram criadas, quase todas em chutes de fora da área. Um pênalti claro existiu em cima de Benzema, é verdade, mas o árbitro provou sua honestidade sendo ruim para os dois lados durante o jogo.
O gol só saiu por uma infelicidade inacreditável de Dida, digna de uma pelada de empresa metalúrgica. Na criação de jogadas, o Milan penava pra chegar ao ataque, apelando para chutões visando Pato e Inzaghi. Ronaldinho Gaúcho, em todo o primeiro tempo, deve ter conseguido dominar duas entre vinte bolas.
No segundo tempo, o problema do Real persistiu. Qualquer um poderia notar a falta que Cristiano Ronaldo fazia à equipe. Os dois atacantes, Raúl e Benzema, se concentravam dentro da área, obrigando os ótimos Granero e Kaká a jogarem pelas pontas, rendendo bem menos que o normal. Jogando com os seus meias deslocados de posição, o Real tinha posse de bola, mas não produzia chances claras de gol.
E o Milan que parecia morto, ressuscitou em um chute incrível de Pirlo. Chute de puro talento, mas que bem poderia ser obra do imponderável também. Depois, Casillas falhou feio e deixou o gol aberto para Pato marcar. Milan 2×1.
Drenthe, o esforçado e limitado, empatou pouco tempo depois. Manuel Pellegrini havia enxergado bem o problema do seu ataque, colocando Drenthe aberto pela esquerda, o que libertou Kaká da função. Só que o treinador merengue viu dois problemas da sua defesa o levarem a derrota.
O Real Madrid só levou gol de duas formas este ano: bolas alçadas na área e em contra-ataques. O árbitro, graças ao imponderável -sempre ele - anulou o gol legítimo de cabeça feito por Thiago Silva, depois de uma confusão que gerou um soco no rosto de Raúl. Só que o árbitro não conseguiu evitar o talento de Seedorf, que lançou de forma magnífica para Pato, livre, sem muitos problemas para selar a vitória rossonera.
O Milan é o mesmo time cansado que pena no Campeonato Italiano. Mas é inegável que os seus jogadores são experientes suficientemente para serem temidos durante a Champions. No talento de Pirlo, Seedorf (o craque do time) e Pato jogos podem ser decididos.
Mesmo assim, Leonardo está longe de ser um bom treinador. O jogo ficou corrido, deixando os dois lados com as mesmas chances de vitórias. Deu sorte. Só que a sorte também é franca e pode mudar de lado. É preciso de competência para segurar a sorte. Assim, os bons costumam mudar o nome do imponderável, passando a ser chamada por “sorte de campeão”.
Por Rafael Araújo
O Real Madrid começou com goleada a Copa dos Campeões. Os novos galácticos alternaram sustos com momentos tranquilos em uma partida de 7 gols. 5×2 sobre o FC Zurich, na Suíça, país dos paraísos fiscais e onde não se pode anunciar empresas de apostas, o que fez o time merengue jogar com a camisa preta “limpa”, sem anúncios.
Do lado do time suíço, o cartão de visitas já foi entregue ao mundo: será o saco de pancadas do grupos. Conseguiu assustar o Real Madrid devido a inconstância que o time vive e que deve viver até achar o rumo certo.
Não dá pra saber o que essa temporada reserva aos novos galácticos. Uma goleada contra um time como o Zurich não quer dizer nada. Os sustos podem vir até ser alertas dos maiores problemas da equipe. Em compensação, o time melhorou em vários aspectos.
Cristiano Ronaldo jogou bem. Kaká não. Existe uma guerra de vaidades escondida ali, mesmo que ainda não exista faíscas no ar. Depois do gol do português, Kaká parecia estar focado a deixar o seu também, só para não ficar atrás. Acho improvável que os dois brilhem ao mesmo tempo em uma partida. O difícil será algum dos dois deixar o outro sobressair.
Xabi Alonso caiu muito bem no meio de campo. Enquanto jogava, o time jogava fácil e compacto. Só precisou sair para o time entrar em transtorno. Alguns outros ainda destoam, como Pepe e Drenthe. A titularidade de Higuaín é um tanto questionável, mesmo depois de uma temporada brilhante que o atacante veio.
Se fosse Pellegrini, montaria a equipe com estes onze: Casillas; Sérgio Ramos, Metzelder, Albiol e Marcelo; Lass Diarra, Xabi Alonso, Granero, Kaká; Cristiano Ronaldo e Benzema.
Observações: 1-Sérgio Ramos está machucado. Arbeloa quebra um galho.
2-Lass Diarra lembra Makelelé. É bem melhor que o seu xará senegalês que frequenta o banco. Só não sei quem teve a ideia de dá-lo a camisa 10. Não dá.
3- Granero foi uma das revelações do torneio sub-20 que revelou Agüero. Junto com o argentino, chamou muito a minha atenção. Joga muito.
4- Benzema é o melhor dos atacantes. Promissor, rápido e goleador nato. Eu bem sei que Raúl não sairá, mas Higuaín, outro bom atacante, tem que sair.
5- Sou grato a toda história de Raúl Gonzalez no Real Madrid. Mas o time iria fluir melhor sem ele.
Opções não faltam a Pellegrini, que ainda conta com Van der Vaart, Van Nistelrooy, Gago e Guti no banco. Resta saber o rumo que ele dará ao barco, e se não deixará cegar pelo brilho fusco de suas estrelas.
Mais Champions League: vale destacar os tropeços de Atlético de Madrid e Juventus, ambos em casa. Principalmente o time espanhol sentirá falta desses pontos mais tarde. Ainda de surpreendente, Grafite marcou os três gols na vitória do Wolfsburg contra o CSKA, por 3×1. Em tempos que Rubens Barrichelo tem chances reais de título na Fórmula-1, Grafite também ousa me calar. De resto, a Terra continua redonda e amanhã será ontem depois de amanhã.
Por enquanto.
Por Rafael Araújo
Fotos: Globoesporte.com
Eu já tinha dito ano passado, não ia dar. Bastou o primeiro tempo pra perceber que os 90 minutos no Anfield Road só vão confirmar o meu triste presságio. Mais uma vez o sonho do Real acaba nas oitavas.
O problema do Real Madrid sempre é o técnico. Juande Ramos é mais um treinador caseiro que goleia times do nível do Bétis e perde pra qualquer um que o encontre nas Oitavas da Champions. Sintomas idênticos aos de Schuster.
Ontem, Juande inventou de colocar quatro atacantes: Robben e Marcelo pelas pontas, Raúl e Higuaín na área. A intenção era pressionar durante todo o primeiro tempo usando as pontas. O Real teve mais posse de bola, mas sem assustar Pepe Reina. Ao contrário do time merengue, o Liverpool assustava a cada ataque. No lance mais bonito, Xabi Alonso viu Casillas adiantado e chutou do meio do campo. Casillas conseguiu voltar a tempo ao gol, para a tristeza dos torcedores ingleses e do bom espetáculo.
Na volta do intervalo, Juande Ramos leu bem o problema da equipe, mas trocou errado. Faltava armação, sobravam atacantes. Tirou Marcelo, que estava completamente perdido improvisado no setor e colocou Guti (que sempre foi volante, não meia) pra armar. Isso com Van der Vaart no banco, pra minha irritação em casa. Resultado da substituição: o Real começou a perder todas as bolas no meio do campo, só assustando com jogadas esporádicas de Robben (um dos poucos lúcidos).
Nem sempre o melhor goleiro do mundo consegue evitar a derrota. Em uma falta infantilmente cometida por Heinze, Fábio Aurélio encontrou Benayoun livre na área que cabeceou firme pra dentro da rede. Nada Casillas pôde fazer.
Van der Vaart sequer entrou e o Real foi pro desespero do mesmo jeito que começou, sem a mínima criatividade. Com os holandeses Sneijder e Van der Vaart no elenco, Juande Ramos prefere abdicar de meias e jogar apenas com defesa e ataque. Eficaz contra times pífios da Espanha, moderno demais em jogos que realmente importam.
Pouco importa, a verdade é que a temporada acabou ontem. Em compensação, a minha campanha por Scolari em Madrid só está começando.
Por Rafael Araújo
Fotos: Uefa.com
Agora existe motivo pra Arshavin abrir o sorriso. O meia russo foi comprado pelo Arsenal, quase no final da janela de transferências, por 13 milhões de libras. Quantia considerável nos tempos de hoje.
Finalmente Arshavin se livrou do seu fraco Zenit. Ótimo negócio tanto pra Arshavin quanto para o Arsenal, que carece de um grande craque desde a saída de Henry. O que me preocupa é o meio-campo do Arsenal que joga em uma linha de quatro, tradição na Inglaterra. Me pergunto se Arshavin se encaixará em um esquema como esse.
Ainda na Inglaterra, Robbie Keane que havia sido comprado por 20 milhões de libras para o Liverpool no começo da temporada, voltou para o time que o vendeu, o Tottenham, pela quantia de 15 milhões de libras. Ótimo para o Tottenham que ganhou 5 milhões nessas negociações e ainda recuperou o seu principal jogador. Pra mim, faltou paciência com Keane no Liverpool. Novamente a vaga de companheiro de Fernando Torres fica aberta.
O Chelsea também contratou no fechar das janelas de transferências. Trouxe o português Ricardo Quaresma por empréstimo. O jogador vinha sendo preterido na Inter de Milão, muitas vezes sequer ficando no banco. Que Quaresma encontre o seu brilhante futebol dos tempos de Porto no time do Felipão. Bola ele tem, jogando o que sabe consegue vaga fácil no time titular do Chelsea.
O Manchester City foi o clube que mais investiu na Inglaterra, gastaram 53 milhões de euros para comprar De Jong (15,4 milhões ao Hamburgo), Bellamy (15,4 milhões ao West Ham), Bridge (13,2 milhões ao Chelsea) e Given (a imprensa inglesa afirma que foram cerca de nove milhões ao Newcastle). Confesso que não conheço o futebol de De Jong, mas os outros são bons reforços, mas nada com que faça o Manchester City ser grande, como o dono do time deseja.
Mesmo com esse período de vacas magras e contratações modestas, o futebol inglês continua se sobresaindo aos outros países quando o assunto é dinheiro. Na lista das 10 maiores contratações dessa janela (abaixo), oito foram de times ingleses, perdendo apenas para as compras do Real Madrid, único time que realmente abriu os cofres nesse período.
As maiores contratações do inverno de 2009
1º Huntelaar (HOL) – Real Madrid € 27 milhões
2º Diarra (FRA) – Real Madrid € 20 milhões
3º Bellamy (GAL) – Manchester City € 15,3 milhões
4º De Jong (HOL) - Manchester City € 15,3 milhões
5º Jermaine Defoe (ING) – Tottenham € 15,3 milhões
6º Wilson Palacios (EQU) – Tottenham € 15,3 milhões
7º Andrey Arshavin (RUS) – Arsenal € 14 milhões
8º Robbie Keane (IRL) – Tottenham € 13,2 milhões
9º Wayne Bridge (ING) – Manchester City € 13,2 milhões
10º Savio Nsereko (ALE) – West Ham € 8,3 milhões
Já deu pra perceber que o futebol também espera pelo final da crise.
Por Rafael Araújo
Fotos e valores: Globoesporte.com

Nem tudo é triste no futebol.
Parece que me ouviram em Madrid. O alemão Bernd Schuster não é mais treinador do Real Madrid. Em seu lugar, entra Juande Ramos responsável pelo bicampeonato da Copa da Uefa pelo Sevilla.
Juande Ramos começou bem no seu último trabalho, pelo Tottenham. Recuperou o time na temporada passada. Misteriosamente, nessa temporada teve um início de Premier League ridículo, fazendo apenas dois pontos em oito jogos. Os jogadores londrinos chegaram até a alegar que ”passavam fome” com o treinador. Não dá pra confiar cegamente em Juande, definitivamente.
Mas o tempo de Schuster passou. Quer dizer, não devia nem ter começado. Ganhou duas ligas da Espanha, mas treinador de Real Madrid que se preze tem que ganhar Champions League. Nesse torneio, Schuster foi muito mal duas vezes, e com toda a certeza, iria mal pela terceira vez.
Schuster brigou com todo mundo em Madrid. Escalou o time errado inúmeras vezes. Deixou Raúl e Saviola no banco. E por fim, disse que seu time não teria condições de ganhar do Barcelona no clássico.
Teve o que merece. A esperança pelo título da Champions continua.
Por Rafael Araújo

Um jogo que prometia dar equilíbrio ao campeonato, acabou sendo de um time só. 6×2 em pleno Santiago Bernábeu, pra madrilista ver e aplaudir o futebol da Catalunha. Assim foi a vergonha do Real Madrid e a consagração do Barcelona.
Sergio Ramos diminuiu na volta do segundo tempo, mas não teve muito tempo pra comemorar. Henry aumentou a vantagem logo em seguida. Messi e Piqué deram números finais ao dia que o sonho merengue virou pesadelo catalão.
Espero que o estrago feito hoje em Madrid sirva pra forçar uma reformulação que há anos o time carece. Alguém novo deve ser contratado pra varrer o salão de festas do Barcelona. Novidades serão bem-vindas. Hoje, a realidade indica que falta muito ao Real. Falta meio de campo, falta elenco e , principalmente, falta um treinador da grandeza do maior clube do mundo.