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Um gol de saldo ainda separa Atlético Mineiro do Palmeiras. Três gols de Obina condecoraram a festa de despedida de Jorginho.
Jorginho traçou como objetivo entregar o time na liderança. Passou perto. Arrisco dizer que conseguiu mais que a ponta da tabela. Ganhou o clássico mais importante do estado jogando bem, dominando a melhor equipe do Brasil da semana passada. Não que tenha sido um massacre como usaram pra vender jornal. Jorginho armou a equipe pra neutralizar o Corinthians. Conseguiu ainda de brinde levou três gols de Obina, aquele que era melhor que Eto’o e agora é melhor que o gordo.
Jorginho leu perfeitamente o jogo. Povoou o meio com 5 jogadores, superando os apenas 3 corinthianos. Assim como o Vasco na Copa do Brasil, a posse de bola foi predominantemente do Palmeiras. Vendo o lado esquerdo enfraquecido do Corinthians, Jorginho pediu para que descessem por aquele lado. As melhores jogadas e o primeiro gol assim vieram.
O Corinthians melhorou no segundo tempo. Com esse mesmo time, o título ainda é possível. O problema é se o desmanche continuar. Ontem, erros individuais de Chicão e Moradei e a contusão de Ronaldo impediram a reação corinthiana. Nada preocupante visto o jogo. Claro, por enquanto.
Só que os jornais vendidos não enalteceram a ótima atuação de Jorginho. Todos os holofotes foram em direção de Obina.
Não deixam de serem merecidas as glórias, já que o clássico foi uma benção para o iluminado. Assim como na final da Copa do Brasil, em que Obina saiu do banco pra consagrar o Flamengo campeão em cima do Vasco, ontem era novamente o seu dia de predestinado. Escrevam, daqui a alguns anos dirão até que Obina meteu de rosca em seu primeiro gol de cabeça. Sobre Obina, a rotina fez até da sua verdade um folclore. Ouvir que ele é melhor que Ronaldo e Eto’o é tão comum quanto extravagante, assim como descrever um encontro com o Saci Pererê na floresta. Vigiados pela desconfiança, sabemos: só mentimos pra sustentar a lenda.
Por Rafael Araújo
Fotos:Globoesporte.com
O desemprego de Muricy era o pesadelo de todas as noites dos técnicos empregados nos grandes clubes brasileiros. Ontem, quem perdeu o cargo foi justo o interino Jorginho, que, pegadinhas do presidente à parte, já se dava como efetivo no comando do Palmeiras.
O brincalhão presidente zombou de toda a imprensa. Bancou e desbancou Jorginho, enquanto ainda insistia em marcar jantar com Muricy. Só bastou um encontro para levar Muricy para o Palestra. Beluzzo ainda brincou de repórter noticiando a todos a notícia em primeira-mão via twitter. Uma aula de interpretação, sedução e reportagem.
Agora, o Palmeiras tem em mãos o melhor nome do mercado. Muricy virou unanimidade e superou Vanderlei Luxemburgo (cada vez mais decadente e milionário) no posto de melhor do Brasil. Enquanto Vanderlei entrava no ramo do “gerenciamento de times”, Muricy foi o avesso da modernidade. Se concentrou apenas no gramado. Priorizou a defesa e a bola alçada na área. Não fez seu time jogar bonito, não sorriu em coletivas. Como venceu três brasileiros seguidos, virou febre. Até seu mau-humor virou cult. Virou um treinador de 700 mil reais ao mês.
Parece o casamento perfeito. O melhor treinador e um time que busca a liderança no campeonato. O problema é que existem muitas divergências entre os dois pólos envolvidos.
Queiram ou não, o time ainda tem a cara de Vanderlei Luxemburgo. O Palmeiras flui com passes rápidos, sempre correndo. Bem diferente do estilo competitivo do São Paulo, da bola parada e cruzamentos mortais.
Outra grande diferença são as opções de elenco que o Palmeiras vai oferecer. Bem diferente do São Paulo, o Palmeiras não dispõe de boas peças pra reposição. Não existem substitutos à altura de Diego Souza e Cleiton Xavier, por exemplo. Não existe um centroavante bom no jogo aéreo. Não há nenhum exímio cobrador de faltas. As opções encontradas, mesmo que boas, serão limitadas, no geral.
Dado o tempo certo, estranho será se Muricy não der títulos à turma do amendoim. Se com Luxemburgo a meta era se livrar do tabu de títulos, agora a diretoria espera que o alto investimento retorne em títulos mais significativos, característica sempre relacionada aos trabalhos de Muricy e cada vez mais escassa nos últimos trabalhos de Vanderlei Luxemburgo.
Por Rafael Araújo
Hoje, me surpreendi com um recorde aqui do blog: 88 visitas desde 0h00. Isso se deve ao que Marcos fez ontem na Ilha do Retiro. O goleiro além de salvar o Palmeiras durante os 90 minutos e pegar três pênaltis, me calou.
A razão dessas várias visitas de hoje é o um post do ano passado que redigi, intitulado “Santo Presepeiro”, onde eu sugeria a aposentadoria de Marcos depois do jogo contra o Grêmio, aquele do segundo turno do Campeonato Brasileiro. Não me arrependo das críticas que fiz sobre o jogo, já que ele foi irresponsável mesmo se mandando pro ataque faltando 15 minutos pra acabar o jogo. Mas sobre a aposentadoria, isso sim me arrependo. Ontem, Marcos fez questão de me mostrar o que escrever.
Não assisti ao jogo. Só que no ônibus já dava pra perceber o que acontecia. Alguns falavam de disputa de pênaltis. Com tantas vozes simultâneas, não ouvi muito bem, mas era de Marcos que falavam. “O Marcos cata”, “O Marcos já salvou nos 90″ ou até mesmo “O Marcos é bem melhor que o goleiro dos bambis”. Não deu pra saber muito, tive que descer logo do ônibus. Só fui saber da noite de santo em casa.
Analisando os melhores momentos (odeio comentar sem assistir, mas é o jeito), o Sport pressionou o tempo todo. Qualquer outro time seria estraçalhado na Ilha do Retiro. O Sport criou chances claras, muitas desperdiçadas de forma bisonha, como as de Paulo Baier. O Sport fez tudo certo. Por azar, parou no extraordinário. Parou em Marcos.
Ao contrário do que dizem alguns bairristas, o Sport é sim uma dos 10 melhores equipes do Brasil. Magrão é um ótimo goleiro, um dos mais seguros que pisam no nosso país. O trio de zaga é alto, regular e rápido para os próprios padrões de altura. Longe de ser brilhante, no meio o Sport tem, pelo menos, jogadores que correm, marcam e atacam o tempo todo. No ataque, Ciro é uma das mais gratas revelações do ano. O atacante é ótimo, tanto que não deve ficar por tanto tempo em Pernambuco. Mesmo ainda não tendo um título tão expressivo, o Sport caminha para ser grande(não considero o Sport pequeno, intermediário ainda).
Do lado do Palmeiras, além de Marcos, Luxemburgo faz a diferença. Não há treinador por essas bandas que retire o máximo de cada jogador como ele. Se Marcos fez o que fez, é porque Luxemburgo o instigou. Se Capixaba é ruim desse jeito, é porque poderia ser pior.
Palmeiras segue forte contra o Nacional. Provavelmente passará e fará uma semifinal com o Boca. A juventude do time pode pesar. Que não se desesperem com uma eliminação, já que esse time promete pro futuro, e muito! O Sport deverá fazer uma campanha honrosa no Brasileirão, seguindo o seu bom caminho. Marcos deverá encerrar bem o seu último ano de carreira, terminará no auge caso continue assim. E eu seguirei aqui, pedindo perdão pra todos os santos que mal direi.
Por Rafael Araújo
