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O desemprego de Muricy era o pesadelo de todas as noites dos técnicos empregados nos grandes clubes brasileiros. Ontem, quem perdeu o cargo foi justo o interino Jorginho, que, pegadinhas do presidente à parte, já se dava como efetivo no comando do Palmeiras.
O brincalhão presidente zombou de toda a imprensa. Bancou e desbancou Jorginho, enquanto ainda insistia em marcar jantar com Muricy. Só bastou um encontro para levar Muricy para o Palestra. Beluzzo ainda brincou de repórter noticiando a todos a notícia em primeira-mão via twitter. Uma aula de interpretação, sedução e reportagem.
Agora, o Palmeiras tem em mãos o melhor nome do mercado. Muricy virou unanimidade e superou Vanderlei Luxemburgo (cada vez mais decadente e milionário) no posto de melhor do Brasil. Enquanto Vanderlei entrava no ramo do “gerenciamento de times”, Muricy foi o avesso da modernidade. Se concentrou apenas no gramado. Priorizou a defesa e a bola alçada na área. Não fez seu time jogar bonito, não sorriu em coletivas. Como venceu três brasileiros seguidos, virou febre. Até seu mau-humor virou cult. Virou um treinador de 700 mil reais ao mês.
Parece o casamento perfeito. O melhor treinador e um time que busca a liderança no campeonato. O problema é que existem muitas divergências entre os dois pólos envolvidos.
Queiram ou não, o time ainda tem a cara de Vanderlei Luxemburgo. O Palmeiras flui com passes rápidos, sempre correndo. Bem diferente do estilo competitivo do São Paulo, da bola parada e cruzamentos mortais.
Outra grande diferença são as opções de elenco que o Palmeiras vai oferecer. Bem diferente do São Paulo, o Palmeiras não dispõe de boas peças pra reposição. Não existem substitutos à altura de Diego Souza e Cleiton Xavier, por exemplo. Não existe um centroavante bom no jogo aéreo. Não há nenhum exímio cobrador de faltas. As opções encontradas, mesmo que boas, serão limitadas, no geral.
Dado o tempo certo, estranho será se Muricy não der títulos à turma do amendoim. Se com Luxemburgo a meta era se livrar do tabu de títulos, agora a diretoria espera que o alto investimento retorne em títulos mais significativos, característica sempre relacionada aos trabalhos de Muricy e cada vez mais escassa nos últimos trabalhos de Vanderlei Luxemburgo.
Por Rafael Araújo
Poderia ser bem pior se Borges não tivesse feito o belo gol no final do jogo. Mesmo com pleno domínio do jogo, por pouco o São Paulo não começa a competição favorita dos seus torcedores com derrota.
Hoje, os comentários da imprensa apontavam o belo posicionamento do time visitante como principal razão para o empate. Os colombianos pensaram muito bem e ficaram atrás o jogo inteiro, contando ainda com a perfeita atuação do seu goleiro, Bobadilla. Mas o que eles fizeram não é muito difícil de se fazer e pode ser repetido por todos os outros times que enfrentarem o São Paulo no Morumbi.
Na Libertadores do ano passado era a mesma coisa, o time dominava o jogo durante as duas etapas, mas só no final dos jogos no Morumbi saía um gol de Adriano ou Borges. Culpavam Adriano por isso, dizendo que a equipe priorizava os cruzamentos na área para a grande estrela da equipe na época. O São Paulo acabou sendo desclassificado pelo Fluminense no Maracanã, o que poderia ter sido evitado se a equipe paulista matasse o jogo em São Paulo.
O padrão de jogo de ontem me lembrou o do ano passado, com a diferença que a equipe está chutando muito mais ao gol. Com a atuação brilhante do goleiro adversário e muita gente na área, os chutes de fora e os cruzamentos custavam em resultar em gol. O São Paulo só foi realmente jogar bem, com a entrada de Dagoberto que caía muito bem pelas duas pontas.
Não adianta pressionar uma equipe recuada somente pelo meio. Pode resultar em gol, claro, mas geralmente esses saem por erros individuais e não por merecimento. Jogando pelas pontas fica muito mais fácil. Atualmente, a equipe de Muricy não tem alas que se apresentam ao ataque, tanto Zé Luis como Jorge Wágner dificilmente chegam à linha de fundo, o que diminui bastante as opções de ataque. Só foi Dagoberto cair pelos lados, que a defesa colombiana foi começando a se abrir e as melhores oportunidades surgiram.
Eu gosto do time titular montado pelo Muricy jogando fora de casa. Os dois centroavantes na área preocupam bastante a defesa adversária e o meio-de-campo pegador deixa o time mais compacto pra sair no contra-ataque. Porém, em casa não me agrada. Com Washington e Borges na frente, é preciso de opções pela ponta. Colocar Dagoberto e apostar em três atacantes é suicídio. O certo seria colocar os excelentes alas do banco no time titular (Wágner Diniz e Jr. César) que são alas de ofício. Caso não queira abdicar dos dois alas titulares, a solução seria tirar um dos centroavantes pra colocar Dagoberto. O que não pode é deixar o time atacando somente pelo meio.
Não entendi até agora a substituição do Zé Luis pelo Arouca (No Fluminense, Arouca já jogou na posição, mas isso acontecia quando Renato Gaúcho partia pro desespero e colocava um atacante no lugar de Gabriel. Quando isso acontecia, Arouca ia pra lateral pra ficar mais atrás, liberando Jr.César pra atacar do outro lado. Sendo que Jorge Wágner não sobe e não subiu, pra que Arouca entrou?).
Pensando pelo volume de jogo que Muricy falou após o jogo, é certo dizer que o São Paulo jogou bem. Mas ainda falta mais jogadas pelos lados do campo e um melhor aproveitamento dos ótimos jogadores que estão no banco pro Sâo Paulo engrenar. Será que todos os anos o São Paulo só vai jogar bem no Brasileirão?
Ainda aposto no São Paulo como maior favorito para a conquista dessa Libertadores. Mesmo com André Lima no elenco.
Por Rafael Araújo
Com esse enredo vive novamente Borges. Seus gols novamente não bastam para que ele consiga a posição de titular no time de São Paulo. Ano passado o gigante era Adriano, esse ano é Washington. Borges, hoje, cansou disso e resolver falar que não aguenta mais e que quer reconhecimentos pelos gols feitos. Sobrou até para Washington que fez um bom primeiro tempo ao seu lado no jogo de ontem.
Primeiro veio o discurso prepotente de que ele não precisa provar mais nada.
-Acho que não tenho que provar mais nada. Em 2007, fui artilheiro da equipe. Em 2008, fui artilheiro da equipe. Vai ano e vem ano e ainda tenho que ficar provando. Isso até cansa. Se for artilheiro de novo este ano, ano que vem chega outro atacante e vou ter que provar de novo que posso jogar – afirmou em entrevista à “Rádio Jovem Pan”.
Esse papo de que não precisa provar mais nada, cairia bem se fosse declaração do Pelé ou do Maradona. Eles não têm que provar mais nada. Mas Borges ainda é jogador profissional, e enquanto continuar sendo, precisa provar seu potencial pra merecer jogar no São Paulo. Se ele não fizer, Muricy terá mais um motivo pra tirá-lo do time.
Borges é um bom jogador, o atacante que melhor sabe fazer a função de pivô no Brasil, como o seu próprio treinador já disse. Mas não é craque e nunca será unanimidade. Borges é um batalhador em campo e isso o faz eficiente. O apelido de “trabalhador” é mais do que justo.
Mas hoje Borges perdeu a razão. Se tivesse ficado quieto, seria bem melhor pra todos. Declarou todo o seu ciúme de Washington para a rádio “Jovem Pan”.
- O São Paulo tem uma equipe que foi campeã e não tinha Washington. Era Dagoberto e Borges e merecemos mais respeito. Sempre que precisou, a gente apareceu. Lógico que ele começou bem, fazendo gol, mas o Dagoberto e o Borges vão brigar pela posição- disse o atacante na sua atrapalhada entrevista.
E ainda pediu reconhecimento logo em seguida. 
-Fico um pouco triste porque o reconhecimento sempre demora. Vários jogadores já me disseram que se eu fizesse em outro clube o que fiz no São Paulo, seria idolatrado - falou o magoado atacante.
Alguém precisa avisar Borges que não vai ser reclamando que ele vai conquistar seu espaço, muito menos desmerecendo o seu companheiro de equipe. Muricy não vai colocar Borges e Dagoberto porque Borges pediu publicamente. Ele é treinador e sabe muito bem o que espera do seu ataque e quais homens fazem melhor esse papel. O gigante Washington continuará fazendo gols, cabe a Borges também fazer isso.
É melhor Borges pedir desculpas publicamente a Washington. Ele não conquistará o tão desejado reconhecimento assim. A única forma de ser reconhecido e titular absoluto, é fazer o que ele mais sabe fazer e que andava fazendo: trabalhar.
Por Rafael Araújo
Fotos e entrevistas: Globoesporte.com
