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Não foi nenhuma atuação de gala. Muito longe disso. Se o gol não viesse, eu estaria aqui comentando de um dia pra esquecer na carreira do imperador. A cada erro, um soco fraco na cabeça do homem forte. De lançamentos à arrancadas, errou de tudo um pouco. Perdeu gols que não costuma perder. Sem querer ofender, um dia de Kléber Pereira.
Mesmo assim, Adriano foi o principal homem em campo. Se ontem não era um dia muito inspirado, seu gol saiu em um novo erro, um chute escorregadio que rendeu Felipe no gol.
A diferença é que estamos presenciando um patrimônio mundial, que preferiu subir o morro pra poder ficar de bermuda e chinelo em paz.
Atacante bom é aquele que faz gol. De canela ou por cobertura.
Jogador diferenciado é aquele que decide. Jogando bem ou mal.
Cabeceio perfeito, ótima visão de jogo (mesmo errando muito, inverteu muito bem o jogo algumas vezes), domínio do corpo de tanque, chute mortal de esquerda, personalidade, carisma e respeito pelos zagueiros.
Adriano é tudo isso. Nível de seleção brasileira e do melhor futebol do mundo. Poderia ainda ser estrela do futebol mundial, mas teve como seu principal vilão o mesmo que ontem lhe dava cascudos.
No final do jogo, no seu único lance de brilhantismo, dominou uma bola ainda no ar e virou pra cima de Chicão.
Naquele instante, eu esqueci que era o Flamengo no ataque, esqueci até que sou Vasco. Lembrei da minha camisa velha número 10 dos tempos de Imperador de Milão. Lembrei dos velhos e bons clássicos contra o Milan. Quando Adriano encheu o pé contra Felipe, me veio na lembrança o gol contra a Argentina, na final da Copa das Confederações. Tão de repente quanto o flash da memória, a bola explodiu no goleiro corinthiano.
Acordei e lembrei da minha infelicidade em ver o modesto (porém eficiente, não nego a sua boa fase)Luis Fabiano. A seleção está sem graça, as estrelas estão sumindo, o brilho do campeonato brasileiro se resume a uma lembrança.
Adriano poderia ter a seleção, ainda ser uma estrela do futebol mundial. Mesmo assim, abdicou o auge elitista, em troca da visão mais limpa alto do morro, onde é estrela por trás do arranha-céu.
Por Rafael Araújo
Fotos:Lancenet
O futebol carioca não é mais o mesmo. Antigamente, existia todo um charme em volta do Maracanã, existiam grandes clássicos com estádios lotados e os quatro grandes tinham grandes estrelas.
Faz falta o tempo que Tùlio Maravilha era o rei do Rio. Os times não eram quebrados, não se desfaziam de esportes olímpicos e não cortavam o orçamento pra sobreviver. Mas existe algo que sobreviveu dos tempos de Túlio nesse decadente futebol carioca: as declarações bem-humoradas, que nem sempre tem a intenção de soarem como piadas.
- Na hora do almoço ele nos avisou que iria a uma lavanderia levar a sua roupa, mas foi embora. À noite, soubemos que ele tinha ido à Argentina.
Primeiramente, tentar renovar com Zárate já é uma piada. O jogador provou no campeonato brasileiro passado que não joga nada e ainda é muito gordo pra jogar futebol. Sua passagem no Brasil só gerou apelidos pela sua semelhança com Cabañas e “Alexandre Avião”, cantor do grupo Aviões do Forró.
No Fluminense, a declaração do presidente Horcades sobre as mulheres de dois neurônios foi polêmica durante semanas no país. Mas pouca gente falou que ele pediu desculpas. E falou besteira mais uma vez.
- Isso é brincadeira. Sou casado há 42 anos com a minha esposa e pai de quatro filhos. Se a declaração pegou mal, estou pedindo desculpas. Elas têm 80 milhões de neurônios.
Mal sabe Horcades que os seres humanos tem, em média, 100 bilhões de neurônios. Horcades colocou as mulheres entre cachorros e sapos. Lembrando: esse senhor é médico.
Do Vasco, teve a leve e até mais sem graça declaração de Carlos Alberto: - Vamos chamar os Caça-Fantasmas! Fazendo alusão ao grande filme oitentista (época boa!) estrelado por Bill Murray. Por outro lado, Pimpão seu companheiro de equipe ousou desmistificar os ídolos Dinamite e Romário.
-Ele (Roberto Dinamite) foi um ídolo do passado e quem vive de passado é museu. A gente está aqui para provar que no futuro, os atletas que chegaram podem dar certo(…) Não posso me preocupar com essas situações. Jogo com a 11, que era do Romário, e quem vive de passado é museu- repetiu o jovem jogador.
Mas do Flamengo veio a mais absurda de todas as declarações.
- Obina tem tudo pra vingar neste ano e ser um dos artilheiros do Brasil. Ele é guerreiro, cabeceia muito bem e funciona como referência.- disse Cuca.
Essa nem precisa explicar qual é a graça.
Por Rafael Araújo
Entrevistas e fotos: Globoesporte.com
