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0,,21469551-EXH,00Um gol de saldo ainda separa Atlético Mineiro do Palmeiras. Três gols de Obina condecoraram a festa de despedida de Jorginho. 

Jorginho traçou como objetivo entregar o time na liderança. Passou perto. Arrisco dizer que conseguiu mais que a ponta da tabela. Ganhou o clássico mais importante do estado jogando bem, dominando a melhor equipe do Brasil da semana passada. Não que tenha sido um massacre como usaram pra vender jornal. Jorginho armou a equipe pra neutralizar o Corinthians. Conseguiu ainda de brinde levou três gols de Obina, aquele que era melhor que Eto’o e agora é melhor que o gordo.

Jorginho leu perfeitamente o jogo. Povoou o meio com 5 jogadores, superando os apenas 3 corinthianos. Assim como o Vasco na Copa do Brasil, a posse de bola foi predominantemente do Palmeiras. Vendo o lado esquerdo enfraquecido do Corinthians, Jorginho pediu para que descessem por aquele lado. As melhores jogadas e o primeiro gol assim vieram.

0,,21469547-EXH,00O Corinthians melhorou no segundo tempo. Com esse mesmo time, o título ainda é possível. O problema é se o desmanche continuar. Ontem, erros individuais de Chicão e Moradei e a contusão de Ronaldo impediram a reação corinthiana. Nada preocupante visto o jogo. Claro, por enquanto.

Só que os jornais vendidos não enalteceram a ótima atuação de Jorginho. Todos os holofotes foram em direção de Obina.

Não deixam de serem merecidas as glórias, já que o clássico foi uma benção para o iluminado. Assim como na final da Copa do Brasil, em que Obina saiu do banco pra consagrar o Flamengo campeão em cima do Vasco, ontem era novamente o seu dia de predestinado. Escrevam, daqui a alguns anos dirão até que Obina meteu de rosca em seu primeiro gol de cabeça. Sobre Obina, a rotina fez até da sua verdade um folclore. Ouvir que ele é melhor que Ronaldo e Eto’o é tão comum quanto extravagante, assim como descrever um encontro com o Saci Pererê na floresta. Vigiados pela desconfiança, sabemos: só mentimos pra sustentar a lenda.

Por Rafael Araújo

Fotos:Globoesporte.com

0,,21248715-EXH,00O mundo dá voltas. E no futebol, parece rodar tanto quanto a bola rolada em campo. Um ano atrás, Mano Menezes perdeu uma Copa do Brasil mesmo contando com a vantagem de dois gols. Foi ao Recife com um time em formação. Com medo, não precisou de mais de um tempo pra perder a vantagem e, consequentemente, o título. Mano quase caiu.

Só que o futebol não é tão surpreendente como dizem. Dado o tempo adequado ao treinador, está provado, os resultados sempre aparecem. Apareceu para Mano, um ano depois do seu fracasso. O Corinthians viajou ao Rio Grande do Sul com a mesma vantagem de dois gols. Mais uma vez, a decisão durou apenas 45 minutos. O time acuado e inexperiente do ano passado deu lugar ao organizado e corajoso Corinthians de 2009.  O título, enfim, veio. Mano Menezes está nas alturas.

Nunca foi tão fácil torcer para o Corinthians. O torcedor sofredor até estranha não ter do que reclamar. Ninguém joga melhor hoje no Brasil.

Mérito a um treinador que fez um grande time com jogadores medianos. Incontestáveis só Ronaldo, André Santos e os zagueiros. Douglas e Felipe (esse parece que se encontrou definitivamente) são irregulares. Elias, Cristian, Alessandro, Jorge Henrique e Dentinho parecem craques devido a eficiência de Mano em escolher a função certa para cada jogador, mas passam longe de serem fenômenos.

0,,21248384-EXH,00Vale ressaltar o paradoxo que é o Inter. Um elenco tão forte comandado por um treinador como Tite. Na decisão, como bem observou Vitor Sergio, o Inter tinha um lateral improvisado na direita e outro de ofício na esquerda. Inacreditável ver o time gaúcho atacar apenas pelo lado direito com Bolívar, deixando espaços para André Santos subir a todo instante. No segundo tempo, Tite não abdicou de seus dois volantes mesmo no desespero, tirando Taison para a entrada de Andrezinho. O treinador só acertou na entrada de Alecsandro, ótimo centroavante (para o futebol brasileiro, apenas). Muito pouco para um time que sonha com o Brasileiro. Muricy faria muito mais, se não vai fazer…

D’Alessandro sempre aliou provocação e talento. Já eliminou o Corinthians uma vez assim. O grande problema foi ele ter esquecido de jogar o que sabe. Nem preciso elogiar o Willian aqui por ter fugido da briga. 

0,,21248834-EXH,00Título justo. O Corinthians pode não ter o time repleto de craques como o do Inter. Só tem um atacante que decide em campo quando precisa decidir. Ontem não era o caso, a festa era de outro. Outro craque decretou a festa regada a champagne sem precisar entrar em campo. Ainda fez isso de forma rápida e equilibrada, contrariando o sofrimento e o espumante, típicos de todo corintiano.

Por Rafael Araújo

020400780-exh001Existem palavras que perdem o significado do dicionário quando chegam no futebol. Se você procurar no dicionário o que é um clássico, na melhor das hipóteses, achará o significado “tradicional” pra explicar o que são realmente esses jogos. Muito pouco pra quem conhece os tais, muito pouco pra quem assistiu no domingo o clássico paulista.

Equilíbrio durante a primeira etapa, domínio alvinegro no segundo tempo. Um goleiro irreconhecível assustou de um lado, enquanto Ronaldo Nazário não assustava ninguém do outro. O consagrado ídolo do jogo foi quem deu mal exemplo pras criancinhas. ”Improvável” talvez seja um sinônimo que o Aurélio esqueceu de citar no verbete já citado desde o iníco do post.

Naquelas conversas de espera de um clássico cheguei a dizer, mais brincando do que sério, que quem decidiria o jogo seria o André Dias. Ando fraco de palpites ultimamente, mas, de fato, acertei pela metade a previsão. André Dias foi fundamental no jogo, ou melhor, sua saída foi.

020400776-exh00Ontem, o excelente conjunto não foi mais o mesmo sem André Dias. Ainda com o zagueiro, o jogo era igual, brigado e com condições e oportunidades proporcionais dos dois lados. A eficiente e velha bola parada do time tricolor já tinha resultado em gol ao time tricolor. Pelo lado dos mandantes, o surpreendente Elias resolvera sozinho e igualara, 1×1.

No segundo tempo, a superioridade numérica prevaleceu. Com um lado direito desguarnecido desde a primeira etapa, o São Paulo pouco podia fazer com os avanços constantes de André Santos. O time de Muricy recuou, esperando aguentar até o final. Rogério Ceni cambaleava, mas a bola só foi entrar nos últimos segundos. Atraso pra nenhum corintiano botar defeito. 020400772-exh00

A única baixa da partida, que na verdade é bem pessoal, foi o desempenho de Ronaldo. O atacante não perdeu o domínio da bola em nenhum momento, o que mostra que o problema não é talento. O problema é o corpo que não responde do jeito que deveria, é o peso que não o deixa sair antes de vários o cercarem.

Ronaldo até disse no final do jogo que o São Paulo beira a perfeição. Avaliando pela defesa, setor que encarou Ronaldo, o fenômeno não disse nenhuma mentira. A perfeição é tão cabível, que o sistema fez antagonizar o verbo de Ronaldo e o fazê-lo virar pretérito em pleno campo.

Ronaldo sumiu.

Por Rafael Araújo

feno2Até a antipatia normal contra o Corinthians foi deixada de lado ontem no gol do empate. Em mim, e em todos que assistiram o jogo. 

O camisa 9 de branco tem algo a mais que não envolve escudos e torcidas. O interesse mundial por ele, garoto propaganda da ONU, várias vezes eleito o melhor jogador do mundo e talvez a maior marca que o Brasil já teve depois do Pelé, é do tamanho do futebol globalizado.

O clássico se apequena em relação a isso. Não é só futebol em jogo. Milhares de pessoas que torcem o nariz pra futebol pararam pra ver Ronaldo subir(derrubar) o alambrado. Pra quem acha que o futebol só existe na Copa do Mundo, Ronaldo Nazário é a referência de patriotismo, de uma Copa do Mundo trazida para um país que usa muitas vezes da alegria do futebol para esquecer as tristezas da vida. Ronaldo é patrimônio do Brasil, não só do futebol.

Sobre o jogo: não houve primeiro tempo, o clima não permitiu.

No segundo tempo, com uma temperatura mais amena, começou de fato o jogo de futebol. Felipe esqueceu das noções básicas de um goleiro e ousou antecipar uma bola que quicava e tinha altura. Em uma das falhas mais grotescas da história do clássico, Felipe deu o gol para o Palmeiras.

O Palmeiras começou a explorar mais os contra-ataques e criou algumas chances de gol. Não achei que dominou o Corinthians, como muitos disseram.

Até que entrou Ronaldo no lugar de Escudero, esse último que estava prestes a matar alguém dentro de campo.

018968424-exh00Dois dribles, um cruzamento e uma bola na trave. O rechonchudo teria feito um boa partida apenas com isso. Mas aproveitando uma falha de Marcão(cruzamento se marca o jogador, não a bola) e a indecisão de Bruno, Ronaldo fez o gol de cabeça, fundamento que sempre foi menos eficiente, e se juntou ao bando de loucos no alto do alambrado.

Em virtude do peso do atacante e da loucura causada pelos torcedores, o alambrado caiu. Só pra ficar marcado na história a loucura que foi isso.

Repórteres querendo uma palavra do fenômeno como se aquele fosse o milésimo gol do Pelé, um árbitro que ficou ainda mais perdido e um comentarista de arbitragem rendido ao talento do 9 serviram como coadjuvantes no pós-glória de Ronaldo.

Ronaldo fez em 20 minutos o que todos os atacantes do Corinthians não fizeram juntos durante o campeonato. Ronaldo, gordo do jeito que está, já é o melhor jogador tecnicamente do futebol brasileiro. Ronaldo não precisa de mais de 5 jogos como esse para Dunga convocá-lo de volta para a seleção. Ronaldo sequer precisa de comentários como esses pra mostrar quem ele é.

O mundo todo já sabe.

 Por Rafael Araújo

Fotos: Globoesporte.com

Emoção no Pacaembu

Emoção no Pacaembu

Quando o Corinthians caiu, houve fogos. Na última rodada do brasileirão o campeão já estava definido, havia apenas uma vaga em aberto na Libertadores. A grande expectativa em torno do futebol era o jogo do Olimpíco, Grêmio e Corinthians. Só existiam duas torcidas naquele domingo, a do Corinthians e a do resto do Brasil que torcia para o Grêmio. Os fogos de Belo Horizonte daquele não comemoravam a classificação do Cruzeiro, a festa na Independente não era para o título do São Paulo. Toda a festa era para a queda do Corinthians. Quem era palmeirense pouco ligou para a não classificação para a Libertadores. Eles já se concentravam em um ano em que veriam os corintianos por cima, pelo menos em questão de divisão.

Um Corinthians destruído se refez. E a reconstrução do time do Corinthians não poderia ter sido melhor. Um comandante sério, competente e acostumado com o clima da série B foi contratado. A diretoria poderia muito bem ter escolhido Luxemburgo ou qualquer outro treinador que se ofereceu. Vários se ofereceram, afinal, recuperar um time desse tamanho é provar competência. Mesmo assim, Mano Meneses foi o escolhido, para a sorte de todos os que aguentavam piada nas ruas sobre segundas-feiras.

Jogadores foram contratados, nem todos deram certo. O objetivo de montar um time para a série B não foi tão fácil. O objetivo era montar primeiramente um grupo, depois um time e após isso apareceriam as estrelas. Finazzi pensou que era estrela e não aguentou, Acosta demorou pra se adaptar e quando estava perto de conseguir se machucou. Outros que pareciam jogadores suficientes para série B, não mostraram futebol suficiente para serem considerados sequer profissionais. Mesmo assim, um grupo bom foi feito.

Um quase no paulista, outro na Copa do Brasil. Protestos na Fazendinha. Mesmo assim, o time continuou focado ainda na longa estrada de volta a elite do futebol brasileiro. Estrada essa, que apareceu regular durante todo o percurso, nenhum time sequer ameaçou o primeiro lugar do Corinthians. Jogos no Ceará, Goiás ou em qualquer outro estado brasileiro tinham o mesmo clima maloqueiro e sofredor dos jogos do Pacaembu. Não há nenhum lugar do Brasil que não seja um pouco Corinthians.

O time subiu nesse sábado para ficar na recordação de quem esteve no Pacaembu, não só ontem, mas no decorrer da série B, ou da série A no ano do descenso. Quem chorou na derrota do Grêmio com o medo de jogar a série B, chora hoje relembrando tudo o que sofreu nesse ano. Quem grita que o Corinthians voltou, grita mais alto que o grito de todas as torcidas que festejaram com a queda do ano passado. Grito de louco, todo mundo sabe, corintiano nasceu pra incomodar.

Agora o Corinthians vêm incomodar na série A. Prepare-se para ouvir muito depois dos clássicos. Tanto das vitórias, quanto dos erros de arbitragem. Tanto do seu vizinho, como do apresentador da mesa redonda. 

Eu já estou preparado pra ouvir. Se tem uma coisa que eu aprendi esse ano é, que mesmo sendo insuportável, não existe futebol brasileiro sem Corinthians.

Felizmente ou infelizmente.

Por Rafael Araújo

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