You are currently browsing the category archive for the 'Música' category.
Cd ao vivo cheira sempre a mais do mesmo. Alguns encerram carreiras, outros dão fim a turnês, existem até aqueles que são usados pra tirar artistas do ostracismo. Muitos dão errado, afinal, o artista costuma só mostrar os sucessos de outrora, na época que ainda criava algo de novo. Outros dão certo, fazendo jus ao disfarce caça-níquel que o cd se esconde, arrecadando o dinheiro esperado de uma compilação de hits.
“Luz Negra-Ao vivo” é um trabalho diferente dos habituais. O cd e dvd só ajudam a consolidar ainda mais a carreira solo de Fernanda Takai. Em 2006, Takai lançou “Onde brilhem os olhos seus”, álbum não só bonito no nome, mas de faixa à faixa. Em homenagem a Nara Leão, a vocalista do Pato Fu interpretou alguns sucessos da saudosa cantora brasileira. Resultou em um dos melhores disco do ano, senão o melhor.
Em “Luz Negra”, os sucessos do disco anterior foram mantidos. “Diz que fui por aí”, “Odeon”, “Luz negra”, “Insensatez”,”Trevo de quatro folhas”, “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” e ”Com açúcar, com afeto” ganharam arranjos fiéis ao disco, mantendo a (grande) qualidade anterior e totalizando apenas metade do trabalho.
O grande mérito do trabalho foi dedicar metade do show a músicas novas. Nada mais inteligente, visto a sensação que as músicas fazem no ouvinte. A sensação é de ouvir algo familiar, mas ao mesmo tempo novo. “5 discos”, por exemplo, foi composta por Fernanda e companheiro de Pato Fu(também seu marido) John. É uma música que poderia ter sido sucesso facilmente com a banda, sendo tão radiofônica, que dá impressão de já ter ouvido com a voz da Takai.
“There Must Be An Angel”, sucesso do Eurythmics, também ganhou a voz de Takai, contagiando a plateia presente. “Ordinary World”, do Duran Duran(banda na qual Takai é fã ardorosa), ganhou uma versão mais bossa nova, sem tirar o solo de guitarra característico.
“Kobune” é a música mais estravagente do trabalho, nada mais sendo do que uma versão em japonês de “O barquinho”, clássico imortalizado pelas vozes de João Gilberto, Maysa e Elis Regina. Pode parecer ousadia demasiada, mas o som mostra que é só bossa nova. Com a diferença no idioma.
“Você já me esqueceu” é a música de divulgação do disco. Famosa na voz de Roberto Carlos(mas não é composição dele), pode-se dizer que Takai fez frente a interpretação do cantor mais popular do Brasil. Takai sonhava em poder contar com mais uma música de Roberto, “O divã”, que geralmente aparece em seus shows. O rei não liberou, alegando se tratar de uma letra muito particular. Em compensação, “Debaixo dos caracóis dos seus cabelos” foi permitida.
“Sinhá Pureza”, composição de Pinduca, encerra o disco em ritmo agitado próprio do Belém do Pará. O show termina, e a impresão que fica é que qualquer coisa combina com a voz da Takai. Fazendo até surgir a dúvida se Takai não é a melhor cantora do país.
Ah, preparem os lenços. “Ben”, imortalizada na voz do imortal Michael Jackson, também ganhou a sua versão ainda mais introspectiva, ainda mais emocionante. Não pense em oportunismo. Essa música já aparecia nos shows da cantora desde o ano passado. Takai já deu provas nesse disco ao vivo inovador, que não é oportunista. É talentosa.
Por Rafael Araújo
Amanheceu e o mundo ainda chora. Morreu um mito. De uma década dita como morta, Michael saiu dos mortos que dançavam no clipe de Thriller para ser o maior artista pop deste mundo.
Mas Michael Jackson não nasceu das cinzas. Junto com os seus irmãos, Michael já demonstrava ser diferente desde pequeno, na época graciosa e violenta dos Jackson Five. O pequeno Michael vendeu sua infância ao show business. Michael até tentou comprar ela de volta anos depois com a compra do imenso parque de diversões que morava, mas foi em vão. Michael foi acusado pelo seu envolvimento com crianças, onde visivelmente procurava nelas a sua inocência roubada. Triste.
Em virtude de todos esses problemas, sua genialidade foi escondida por fatos de sua vida. Gênios merecem ser exaltados em vida, todos nós deveríamos saber disso.
Michael teve seu espetáculo ao alcance de todo o mundo. Foi, sem dúvidas, o artista mais globalizado desde os The Beatles. Seus clipes trouxeram a tendência audio-visual, essencial até hoje.
Mito da música, da dança, do exagero, da fama. E da contradição, principalmente. A criança encantadora dos anos 70, o monstro criado por cirurgias plásticas. A criança que apanhava do pai na infância, o milionário sentado no banco dos réus. Quem dançando pra trás fez o futuro da dança. O homem negro, o homem branco. Jazem todos os Michaels em um só, agora. Felizmente, enquanto o mundo chora, Michael já dança pra trás e sai dos mortos para a execução de Thriller reencontrando o divino da sua melhor forma.
Brilhante declaração de Caetano Veloso sobre Michael Jackson, dada ao jornal O Globo.
Por Rafael Araújo

A alegria voltou aos Paralamas. A banda que vagava pelo sombrio em seus dois últimos trabalhos, propõe em seu novo disco um retorno às origens. Retornaram os órgãos, as versões de músicas latinas, as misturas de ritmos e, principalmente, a alegria nas composições de Herbert Vianna, clara demonstração de superação pela tragédia que afetou seus últimos trabalhos.
Particularmente, não posso reclamar dos últimos discos. Conheci a banda com o comercial do Longo Caminho (2002), propaganda que tocava “O Calibre” para enfatizar a sequência na carreira artística de Herbert. A música até hoje figura entre as minhas favoritas, assim como o álbum todo em geral, que apesar de exceder nas baladas, conta com hits indiscutíveis na carreira paralâmica (Ex.: Cuide bem do seu amor e Seguindo Estrelas). Já no Hoje (2005), um disco bem mais melancólico (a maioria das composições do Longo Caminho foram feitas antes do acidente, ao contrário do Hoje), mas não menos interessante pra mim. Chega a ser comovente ouvir versos como os de “Ponto de vista”:“Você aí em pé, você não deve saber como é o mundo aos olhos de quem sofre ao se mover”. Envolvido também pelos outros trabalhos do grupo, virei fã, assim esperando 3 anos pelo novo disco que saiu em fevereiro deste ano.
Brasil Afora (2009) (nome que facilmente poderia ser título de qualquer programa da Regina Casé) começa com a simpática “Meu sonho“, talvez a música mais fácil de ser digerida do disco. A introdução com os órgãos soa familiar a qualquer coisa que o Paralamas já tenha feito, motivo pra que seja apontada por muitos o grande hit do disco. A ótima música já é pedida nas rádios e pode ser ouvida na novela “Caras e Bocas”.
O disco segue com “Sem mais adeus”, a colaboração de Carlinhos Brown. Se em “A brasileira” a parceria rendeu um clássico na trajetória do trio, ”Sem mais adeus” não chega a ser tão pretenciosa. É simplesmente um reggae divertido, com uma letra que mistura partes demasiadamente simplórias com alguns raros momentos de inspiração de Herbert como a começo de refrão ”Não enxergo o horizonte sem você”. Não vai muito além disso.
“A lhe esperar”, primeiro single do trabalho, já é conhecida pelo grande público. Arnaldo Antunes deu a sua cara à música com as dezenas de substantivos comuns e a frase de título resumindo toda a bagunça feita com verbos e nomes. Encaixou muito bem com as qualidades da banda e até com as limitações de Herbert no vocal.
“El Amor (El amor después del amor)” só reforça a admiração de Herbert pelas músicas latinas. Nessa versão, o cantor passou longe de fazer feio. É um daqueles momentos que percebe-se que o poeta se sobressai ao guitarrista. Como se pode ver no decorrer do disco, era só uma amostra da grande demonstração da volta do “Herbert lírico”.
“Quanto ao tempo” é uma música que faltou acabamento. A música começa arrematadora, parecendo ser a grande música do disco. O reggae bem feito, os belos versos… Até chegar no refrão: “Lágrimas não são forever, dores já não são together” É no mínimo decepcionante. A música não merecia isso. “Aposte em mim” continua o ritmo entusiasmado do álbum. Divertida, não figura entre as minhas favoritas, porém nunca cheguei a pulá-la.
“Mormaço” merece atenção. Não só pela participação de Zé Ramalho, que poderia ter sido muito bem o compositor da faixa. Por incrível que pareça, não é. Herbert fez a música pensando em Zé Ramalho e o imitando. A banda gostou da idéia e resolveu convidar Zé pra figurar a gravação. Resultou na melhor música do disco físico.
“Taubaté ou Santos” faz referência aos primeiros shows do grupo. Pra preencher a homenagem, uma letra romântica na canção. Pois é, não faz muito sentido mesmo. Saiu meio forçado.
“Brasil Afora” foge da climática “feliz” do álbum, apesar de ser a faixa-título. Mais agressiva, caberia muito bem no Hoje (2005). Quer dizer, caberia se não fosse ruim. A crítica social não convence, essa eu pulo.
A décima faixa, “Tempero Zen”, lembra “Taubaté ou Santos”. Não entendo a razão das duas terem conseguido o espaço, são bem parecidas. Pela complexidade, “Tempero Zen” é melhor que a primeira. Dá pra refletir e não fugir da proposta do disco.
A última faixa do disco físico,“Tão bela“, também poderia fazer parte do álbum anterior. Nela, João Barone mostra porque é considerado o melhor baterista do Brasil. Rock puro. Sem muita inspiração no texto, mas com vigor de banda de garagem. Quem comprar o disco nas lojas, acabará de ouvir batucando alguma coisa.
A faixa-bônus, “O palhaço”, que foi disponibilizada pra venda apenas pelo Uol, foi a grande injustiçada desse trabalho. É disparada a melhor canção em arranjos e letra, principalmente esse último item. A ingenuidade do palhaço é vendida nos versos interessando desde freiras até santos. Por trás de tudo isso, um trovador que não se limita a dizer apenas da beleza da ingenuidade, mas que também diz que nem a beleza de um palhaço pode esconder a falta de um amor. Uma música triste por trás da cara pintada feita pra rir do palhaço.
Provavelmente, o clima triste escondido de “O palhaço” seja o explicação mais plausível da música ter ficado de fora. Mesmo sendo bem camuflada, uma música com fundo triste não é interessante em um álbum que nasceu pra ser alegre. Brasil Afora nasceu pra recuperar a alegria de tempos passados em fazer música, alegria que vinha sendo trocada pela genialidade do sofrimento de uma grande perda e de um recomeço. Brasil Afora é ótimo, mas não genial como ”O palhaço”. Brasil Afora é alegre, todo palhaço é triste.
Por Rafael Araújo
O que era bom não existe mais.
No último domingo quem visitou a comunidade “Discografias“, do Orkut, se espantou com o triste aviso que a comunidade não funcionará mais. O espaço que serviu para downloads de discos completos em Mp-3 durante 4 anos está fechada devido às ameaças constantes da APCM (Anti-pirataria Cinema e Música) e outros órgãos que defendem os direitos autorais dos artistas.
A comunidade tinha (e ainda tem) 900 mil membros que a usavam como instrumento de busca para downloads de discos de estúdio e raridades dos artistas. Como a comunidade não tinha o conteúdo fechado para não-membros, mais pessoas certamente baixavam músicas através da comunidade. Estimando, 1 milhão de pessoas, no mínimo, saíram prejudicadas com o fechamento da comunidade.
Segundo os próprios moderadores, a comunidade nunca teve fins lucrativos. Esta servia apenas para divulgação de cultura. Órgãos de defesa alegam que esse tipo de exposição gratuita das obras é pirataria.
A APCM é um órgão que representa legalmente as maiores gravadoras do mundo fonográfico. Uma comunidade tão popular como a “Discografias” era, na visão das gravadoras, um incentivo muito grande à pirataria.
Não consigo ver dessa forma. Acho que a comunidade só serviu para divulgação de todos os artistas que lá tiveram os seus trabalhos disponíveis para download. O mundo de hoje substituiu os discos pelo MP-3, lojas de discos se tornam cada vez mais escassas no comércio, é verdade. Mas assim funciona o mundo, as novas tecnologias surgem a cada ano, é bobagem ir contra sendo que se pode andar lado a lado.
Uso o meu próprio exemplo. Sem downloads de discos não conheceria metade das músicas que ouço, não acompanharia metade dos artistas que gosto. Por meio de download de músicas que comecei a apreciar mais vários artistas, e por já conhecer e gostar dos discos que fui comprar os discos que hoje ilustram a minha instante. Baixo músicas pra conhecer, se gosto acabo comprando o disco físico. Acredito que muitos façam o mesmo.
Agora não sei mais onde baixar discos, minha enorme lista fica pendente até eu me encontrar em meio ao Google. Provavelmente apareça até lá um lugar tão popular e rico de opções quanto a falecida “Discografias”. Em um mundo que não existe identidade como a internet, as leis só existem enquanto a página carrega.
Link da comunidade/ Link das notícias relacionadas ao fechamento da “Discografias”
Por Rafael Araújo
Essa discussão entre o cantor Ed Motta e o jornalista Álvaro Pereira Júnior aconteceu no dia 06 de setembro do ano passado. Como queria ver o Frejat cantando, tive sorte de assistir o Altas Horas nesse dia. O tempo passou e eu acabei esquecendo desse programa e dessa briga, só lembrando hoje, quando esse vídeo foi postado na comunidade dos Paralamas do Sucesso.
O vídeo merece ser assistido não só pela briga em si, mas pelo assunto discutido. Afinal, existe importância no trabalho do crítico de música?
Deixando o exagero e a raiva de Ed Motta de lado, o cantor citou uma frase de tom filosófico, que como todas desse tipo, merece pelo menos ser refletida.
“Quem sabe faz, quem não sabe ensina e quem nem isso consegue vira crítico”
Se você for analisar a frase vai perceber que ela não faz sentido algum, já que ninguém ensina a ler sem saber. Mas pensando exclusivamente no trabalho do crítico, essa frase certamente tem os seus seguidores.
Crítico de música no Brasil virou sinônimo de músico frustrado há muito tempo. Reparem no que o Frejat diz no vídeo sobre os críticos que ofendem os músicos. Provavelmente ele tenha falado de Regis Tadeu, o crítico mais famoso do Brasil (que ficou ainda mais por quebrar discos no “sensacional” SuperPop da RedeTv!). Se o crítico mais famoso do Brasil é desse jeito, a imagem do restante dos jornalistas acaba sendo associada a ele. Veja Regis Tadeu ofendendo o Chinese Democracy
O que não se pode negar é que dependendo da importância do órgão que publica a crítica, o jornalista tem um certo poder de influenciar a opinião sobre o artista ou sobre o trabalho. Pensando dessa forma, o trabalho do crítico é influenciar os que não tem tanto conhecimento sobre o assunto a terem a mesma opinião que eles.
O que eu acho é que uma crítica musical não deixa de ser a opinião do jornalista. Não é a verdade absoluta, como muitos acham. É apenas mais uma opinião, uma indicação. Quem nunca ouviu algo por indicação de um amigo? O crítico serve pra isso, indicar novos trabalhos ao seu público. O grande problema acontece quando a crítica não é positiva, quando o jornalista não gostou do que ouviu. O jornalista que ofende o artista julgado, acaba afetando o trabalho do músico que pode perder futuros fãs por “opiniões respeitadas” como essas. Muitas vezes esses jornalistas comentam sobre um gênero que eles nem sabem de onde vieram e o que se propõem a fazer.
Eu escolhi desde o começo desse blog apenas fazer reviews sobre discos que eu julguei bons e que conheço o suficiente do estilo musical. Não faço reviews de discos que considero ruins ou de estilos musicais que não ouço, pelos motivos citados no parágrafo anterior. Posso criticar algum álbum de alguma banda que eu sou fã, mas isso será apenas para demonstrar a minha frustração, da mesma forma que critico alguma música separada. Mas no geral, me limito às minhas indicações de bons trabalhos.
Assista o vídeo, ria da cara do Álvaro nervoso, fique com vergonha alheia do Ed Motta sendo motivo de piada pra platéia e não se distraia com a Carol Castro. Depois disso, me diga se estou certo ou não.
Por Rafael Araújo
Cansado de dar palpites furados sobre futebol, Pelé trilhou outros rumos para a sua sossegada aposentadoria. O Rei do futebol decidiu finalmente acreditar em um sonho antigo, existente desde os tempos que ainda jogava pelo Santos: ser cantor. Dessa vez, pra valer.
Um que apoia essa idéia, é Jair Rodrigues, que o convidou para uma participação especial em seu show, ocorrido no último dia 06. Em entrevista após os ensaios, além de agradecer Jair Rodrigues, Pelé disse que planeja lançar álbuns com grandes ícones da música, como Bono, Mick Jagger, Elton John e Rod Stewart.
- O Jair é um irmão, sempre acreditou que eu poderia cantar. Quero gravar 10 CDs, meu número da sorte. Será um legado para a minha família. Imagina um álbum como o Duets do Frank Sinatra com o Pelé. Seria o máximo. Se eu precisasse desses cantores para fazer algum projeto, eles topariam – disse o Rei do futebol.
Pelé sabe que ser inquestionável no esporte não garante o mesmo na música. Exatamente por isso, o Rei faz questão de lembrar que já foi compositor de músicas de grandes artistas brasileiros. Sergio Mendes, Wilson Simonal, Wando, Elis Regina, Gilberto Gil e Jair Rodrigues são alguns nomes citados pelo, agora músico, Pelé.
Quem tem boa memória e alguns bons anos de vida deve lembrar da campanha que Pelé fez para o Ministério da Educação em 1998, incentivando as crianças a não abandonarem as escolas. A música se chama ” ABC, ABC, toda criança vai ler e escrever”, o exato refrão da canção. Pra quem tem bom humor e uma boa dose de coragem, o vídeo está disponível logo abaixo.
O novo álbum de Pelé tem lançamento previsto para Maio desse ano, ainda sem as participações dos grandes cantores citados no começo do post. Infelizmente, não será feito nenhum review nesse blog sobre o disco, pelos mesmos motivos que não foi feito um para o álbum do Roberto Justus.
Por Rafael Araújo
Como de costume, visitei hoje a Folha Online e me deparei com uma ótima entrevista do cantor Frejat (post sobre a entrevista), o vocalista do Barão Vermelho, que hoje se encontra divulgando o seu trabalho solo Intimidade entre Estranhos. O cantor fará shows de divulgação nos dias 6, 7 e 8 no Sesc Vila Mariana, em São Paulo.
Sobre o seu novo disco lançado no ano passado, o álbum chama a atenção pelas parcerias nas composições. Paulo Ricardo, Zé Ramalho, Leoni e Zeca Baleiro são alguns dos nomes que ajudaram Frejat a compor esse seu terceiro disco solo.
O álbum é bem agradável. Começa com “Controle Remoto”, música pop com uma letra bem interessante, com uma única “falha”, a frase “passar o photoshop na realidade”, provavelmente a marca sem nexo que Paulo Ricardo queria ter dado à música. “Nada Além” e “Tua Laçada” dão um ar mais calmo e sofisticado ao disco, fazendo Frejat parecer um grande cantor veterano de MPB. “Não quero brigar mais não” exagera dos clichês do amor. Com algumas partes felizes na letra, mas também com outras constrangedoras como “somos Bambam e Pedrita” a música não foi bem recebida por todos no início. Pela melodia envolvente, a música virou single e acabou agradando a maioria no final das contas. Não a levando tão a sério, a música é bem divertida.
A faixa-título “Intimidade entre Estranhos” merece grande destaque. É claramente a melhor letra, fruto de mais uma feliz parceria entre Leoni e Frejat. Frejat operou as cordas vocais há pouco tempo e prometeu uma maior extensão vocal nos seus próximos trabalhos. Essa extensão pode ser vista claramente na música. Teve quem adorou (eu sou exemplo disso) e teve quem disse que o Frejat estragou a música ao tentar cantar como não sabe.
“O céu não acaba” é mais uma música que segue o bom clima calmo com a diferença de ter um solo no andamento, fato raro no disco. “Dois lados” é a música mais comercial, mas que até agora não me agradou. Ela me parece mal terminada, eu gosto do começo mas tenho a impressão que o refrão foi colado de outra música.
“Eu só queria entender” é a música reflexiva do álbum, bem lenta e com um bombardeio de críticas em direção ao homem. Dependendo do ambiente de quem ouve, ela pode te fazer entrar em um momento de reflexão ou até mesmo fazer com que você entre em um sono profundo. A declaração de amor “Fragmento” faz com que o disco recupere o ambiente romântico. Tem momentos bonitos, mas não acorda quem pegou no sono.
Quem acorda é “Farol”, a minha favorita. Letra impecável, música agitada e com um refrão marcante “Não sei se sou seu farol ou se você é quem me guia”. A obra de arte desse trabalho.
O disco é fechado com a demasiadamente alegre “Tudo de bom“. A curiosidade da música fica pelo solo feito pelo filho de Frejat. Essa música deve figurar nas pistas de dança com remix em breve.
Quem é fã mesmo da carreira solo de Frejat, certamente estava esperando mais do álbum. É bom, tem músicas muito bem feitas, mas ainda fica muito atrás do “Amor pra recomeçar”, primeiro trabalho solo do Frejat, um dos melhores discos que já ouvi. Desconsiderando comparações e os momentos sonolentos, “Intimidade entre estranhos” é digno da carreira do cantor. “Farol” e “Intimidade entre estranhos” são demonstrações claras que o poeta ainda está vivo dentro da nova roupagem pop do trabalho de Frejat.
Ouça o disco na íntegra pelo Myspace.com!
Por Rafael Araújo
Como eu já tinha dito, depois do dia 19, quando “Get on your boots” foi lançada oficialmente como single, só restava esperar o clipe e deixar a euforia ir embora, pra saber exatamente o que achar dessa música.
Depois de uma semana ouvindo já deu pra avaliar. Sim, a música é boa, difícil de enjoar. Talvez seja tão difícil de enjoar, pela dificuldade que se tem de gostar. Precisei de muitas audições pra entendê-la, assim como vários fãs no mundo fizeram. Isso não é querer gostar de algo que não se gostou na primeira audição só porque é a sua banda favorita. Isso é acreditar no trabalho novo de quem você já conhece o trabalho e sabe a capacidade de fazer música. Aposto que quem ouviu com atenção, gostou.
Enfim, a música é boa em tudo. Algumas rimas óbvias, mas nada prejudicial. O riff da guitarra do The Edge é merecedor de todos os elogios que você com certeza ouvirá por aí. Mas pra mim, novamente é a bateria do Larry que faz a música ser boa como ela é.
Ah, o clipe! Ele saiu realmente hoje, na verdade vazou, o que fez a banda adiar o lançamento oficial. Mas já está disponível em tudo quanto é lugar, como aqui no blog. Odiei os 30 primeiros segundos, ao contrário do resto do clipe que é ótimo. Diferente e novo em relação a tudo que eu já vi na videografia do U2. O efeito da quebra da lente da câmera foi genial e deve ser copiado em muitos outros clipes daqui pra frente.
O clipe é bom, consegue honrar toda a tradição audio-visual que o U2 carrega desde a Zoo Tv, lendária turnê dos anos 90. Acredito que virá mais um grande CD por aí.
Agora é esperar o dia 03 de março, lançamento do “No Line on the Horizon”! (Você ainda verá muito U2 por aqui, felizmente)
Por Rafael Araújo
Foto: site oficial da banda.

Barão Vermelho melhor que Rolling Stones. É isso mesmo.
Conhecendo muito bem as entrevistas dadas pelo Frejat, posso dizer que é um dos cantores mais bem resolvidos intelectualmente que já vi. Sempre com posturas inteligentes e ponderado até nas mais polêmicas declarações, Frejat passa muita credibilidade no que fala.
Nessa última segunda-feira, Noel Gallagher, o guitarrista e cantor do Oasis, dedicou a (linda) música Don’t look back in anger (“Não olhe pra trás com raiva”) para Kaká (vídeo abaixo). Sim, o Kaká é o jogador mesmo.
Noel Gallagher sempre foi fã de futebol e fanático pelo seu time, Manchester City, da mesma forma que é fã de confusão e pancadaria quando não está com o Oasis no palco. Noel é tão ligado a futebol, que é amigo declarado de Joey Barton, jogador encrenqueiro do Newcastle, que tem como o caso mais leve do seu histórico de confusões, ter apagado um cigarro no olho do seu ex-companheiro Jamie Tandy, quando ainda atuava no Manchester City. Além disso, Noel já comprou muitas brigas com dirigentes e jogadores do Manchester City na época que o time não tinha tanto dinheiro como hoje.