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Uma quinzena depois e o mesmo clássico tinha um clima completamente diferente do primeiro. Em Madrid, o massacre anunciado havia virado milagre. Exatamente três dias após a vitória sobre a Roma, os milaneses praticamente ressurgiram dos mortos, passando por cima da defesa galáctica como se não fossem mais corpos, mas sim espíritos.
Metáforas e hipérboles à parte, a vitória do Milan trouxe um clima de suspense extraordinário ao jogo desta quarta-feira. Dessa vez, o Real Madrid veio cambaleando e o Milan em ascenção. Mesmos atores em personagens diferentes.
Leonardo, bem mais confiante em seu cargo, enfim descobriu um melhor esquema para a equipe: 4-3-3, com Ronaldinho e Pato em cada ponta, esquerda e direita, respectivamente. Com o passar do tempo, a dependência por Pato ficou visível, mostrando ainda que o Milan não tem postura definida e que Ronaldinho Gaúcho pena em decidir se quer jogar ou não.
O Real Madrid entrou em campo bem melhor. Manuel Pellegrini corrigiu o erro das pontas da primeira partida, colocando Marcelo aberto pela esquerda, centralizando Kaká na sua posição de origem. Xabi Alonso, Diarra e os dois brasileiros conseguiram anular o meio de campo milanês e criar as melhores jogadas do primeiro tempo.
Apesar do elenco espanhol conter mais opções e qualidade superior ao Milan, o Real Madrid ainda não se encontrou completamente. Cristiano Ronaldo ainda faz muita falta, Higuaín e Benzema não casam bem. É comum vê-los batendo cabeça dentro da área. Assim, apenas um consegue render bem. No caso do jogo, Benzema conseguiu e fez 1×0.
Tudo conspirava para uma vingança do Real Madrid. Em um pênalti mal marcado, o árbitro resolveu moldar o jogo de outra maneira. Ronaldinho cobrou de forma absurdamente perfeita e o gol colocou o Milan de volta ao jogo. Mas, quando Pato fez o que seria o gol mais bonito da sua carreira, o árbitro achou feio e apitou. Sem razão, sem nenhuma vergonha.
E o jogo continuou da forma que todo árbitro gosta: sem discussões, emoções moderadas e equilíbrio predominante. Um jogo brilhante acabou em pressão do Real, mas sem a mesma força inicial. Um sacrilégio com um jogo que tinha tudo para marcar história. 1×1 justo, dentro das circunstâncias.
Nada definido, mas a tensão pré-jogo não tarda em voltar. Mais uma quinzena e temos tudo novamente: mais previsões de milagres. Em um grupo indefinido, a consagração, a redenção e o desastre ainda comem juntos na mesma mesa.
Por Rafael Araújo
Fotos: Globoesporte.com
Imponderável. Sempre gostei da palavra, muito antes de conhecer seu significado. Hoje, virou palavra fixa em qualquer vocabulário de treinador brasileiro. Quando o bom resultado não vem, a culpa sempre é do tal imponderável.
Acreditar no destino talvez seja questão de crença, mas questionar o imponderável é negar evidências claras. Um exemplo claro disso foi a vitória do rebaixado Corinthians contra o campeão São Paulo, no fatídico ano de 2007.
Se você tem boa memória, deve lembrar da exaltação dos ídolos Betão e Moradei depois do jogo e de como a imprensa manteve as esperanças na permanência do Corinthians na primeira divisão. Misteriosamente, o imponderável foi aprontar em outra freguesia e o Corinthians caiu.
Pois bem, quando menos se espera, tenha certeza: o imponderável sempre aparece. Ontem, ele havia dado a prévia da sua atuação de gala, com as derrotas de Liverpool e Barcelona e o empate do Internazionale. Hoje, a vez foi do Real Madrid ser surpreendido, mas não por uma zebra.
O primeiro tempo foi de total domínio do Real, o que não implicou em uma boa atuação. Apesar do maior domínio de bola, poucas chances foram criadas, quase todas em chutes de fora da área. Um pênalti claro existiu em cima de Benzema, é verdade, mas o árbitro provou sua honestidade sendo ruim para os dois lados durante o jogo.
O gol só saiu por uma infelicidade inacreditável de Dida, digna de uma pelada de empresa metalúrgica. Na criação de jogadas, o Milan penava pra chegar ao ataque, apelando para chutões visando Pato e Inzaghi. Ronaldinho Gaúcho, em todo o primeiro tempo, deve ter conseguido dominar duas entre vinte bolas.
No segundo tempo, o problema do Real persistiu. Qualquer um poderia notar a falta que Cristiano Ronaldo fazia à equipe. Os dois atacantes, Raúl e Benzema, se concentravam dentro da área, obrigando os ótimos Granero e Kaká a jogarem pelas pontas, rendendo bem menos que o normal. Jogando com os seus meias deslocados de posição, o Real tinha posse de bola, mas não produzia chances claras de gol.
E o Milan que parecia morto, ressuscitou em um chute incrível de Pirlo. Chute de puro talento, mas que bem poderia ser obra do imponderável também. Depois, Casillas falhou feio e deixou o gol aberto para Pato marcar. Milan 2×1.
Drenthe, o esforçado e limitado, empatou pouco tempo depois. Manuel Pellegrini havia enxergado bem o problema do seu ataque, colocando Drenthe aberto pela esquerda, o que libertou Kaká da função. Só que o treinador merengue viu dois problemas da sua defesa o levarem a derrota.
O Real Madrid só levou gol de duas formas este ano: bolas alçadas na área e em contra-ataques. O árbitro, graças ao imponderável -sempre ele - anulou o gol legítimo de cabeça feito por Thiago Silva, depois de uma confusão que gerou um soco no rosto de Raúl. Só que o árbitro não conseguiu evitar o talento de Seedorf, que lançou de forma magnífica para Pato, livre, sem muitos problemas para selar a vitória rossonera.
O Milan é o mesmo time cansado que pena no Campeonato Italiano. Mas é inegável que os seus jogadores são experientes suficientemente para serem temidos durante a Champions. No talento de Pirlo, Seedorf (o craque do time) e Pato jogos podem ser decididos.
Mesmo assim, Leonardo está longe de ser um bom treinador. O jogo ficou corrido, deixando os dois lados com as mesmas chances de vitórias. Deu sorte. Só que a sorte também é franca e pode mudar de lado. É preciso de competência para segurar a sorte. Assim, os bons costumam mudar o nome do imponderável, passando a ser chamada por “sorte de campeão”.
Por Rafael Araújo
O Real Madrid começou com goleada a Copa dos Campeões. Os novos galácticos alternaram sustos com momentos tranquilos em uma partida de 7 gols. 5×2 sobre o FC Zurich, na Suíça, país dos paraísos fiscais e onde não se pode anunciar empresas de apostas, o que fez o time merengue jogar com a camisa preta “limpa”, sem anúncios.
Do lado do time suíço, o cartão de visitas já foi entregue ao mundo: será o saco de pancadas do grupos. Conseguiu assustar o Real Madrid devido a inconstância que o time vive e que deve viver até achar o rumo certo.
Não dá pra saber o que essa temporada reserva aos novos galácticos. Uma goleada contra um time como o Zurich não quer dizer nada. Os sustos podem vir até ser alertas dos maiores problemas da equipe. Em compensação, o time melhorou em vários aspectos.
Cristiano Ronaldo jogou bem. Kaká não. Existe uma guerra de vaidades escondida ali, mesmo que ainda não exista faíscas no ar. Depois do gol do português, Kaká parecia estar focado a deixar o seu também, só para não ficar atrás. Acho improvável que os dois brilhem ao mesmo tempo em uma partida. O difícil será algum dos dois deixar o outro sobressair.
Xabi Alonso caiu muito bem no meio de campo. Enquanto jogava, o time jogava fácil e compacto. Só precisou sair para o time entrar em transtorno. Alguns outros ainda destoam, como Pepe e Drenthe. A titularidade de Higuaín é um tanto questionável, mesmo depois de uma temporada brilhante que o atacante veio.
Se fosse Pellegrini, montaria a equipe com estes onze: Casillas; Sérgio Ramos, Metzelder, Albiol e Marcelo; Lass Diarra, Xabi Alonso, Granero, Kaká; Cristiano Ronaldo e Benzema.
Observações: 1-Sérgio Ramos está machucado. Arbeloa quebra um galho.
2-Lass Diarra lembra Makelelé. É bem melhor que o seu xará senegalês que frequenta o banco. Só não sei quem teve a ideia de dá-lo a camisa 10. Não dá.
3- Granero foi uma das revelações do torneio sub-20 que revelou Agüero. Junto com o argentino, chamou muito a minha atenção. Joga muito.
4- Benzema é o melhor dos atacantes. Promissor, rápido e goleador nato. Eu bem sei que Raúl não sairá, mas Higuaín, outro bom atacante, tem que sair.
5- Sou grato a toda história de Raúl Gonzalez no Real Madrid. Mas o time iria fluir melhor sem ele.
Opções não faltam a Pellegrini, que ainda conta com Van der Vaart, Van Nistelrooy, Gago e Guti no banco. Resta saber o rumo que ele dará ao barco, e se não deixará cegar pelo brilho fusco de suas estrelas.
Mais Champions League: vale destacar os tropeços de Atlético de Madrid e Juventus, ambos em casa. Principalmente o time espanhol sentirá falta desses pontos mais tarde. Ainda de surpreendente, Grafite marcou os três gols na vitória do Wolfsburg contra o CSKA, por 3×1. Em tempos que Rubens Barrichelo tem chances reais de título na Fórmula-1, Grafite também ousa me calar. De resto, a Terra continua redonda e amanhã será ontem depois de amanhã.
Por enquanto.
Por Rafael Araújo
Fotos: Globoesporte.com
Maradona bem que tentou. Invocou Che Guevara e a si mesmo, lotando um estádio mais acanhado. Fez da área verde uma arena; um local mais denso, mais argentino. A esperança argentina foi jogada aos leões.
Leões de pêlo bicolor, verde e amarelo, vindos da mata tropical do norte. Animal conhecido por todos que ali pediam sangue. A esperança jorrou sangue. A tragédia mudou de lado e o espetáculo circense já pede a cabeça de Maradona.
Um jogo previsível, primeiro tempo morno. Nenhuma mudança tática no time do Dunga. Nenhum esquema tático por parte de Diego Armando Maradona.
Elano, que é convocado somente pra cobrar faltas, mais uma vez gerou um gol. Gol de Luizão, o zagueiro reserva. Pouco depois, Luis Fabiano também fez um.
A Argentina ainda vive em fartura de craques. O problema está concentrado na zaga – horrenda – e na falta de organização. Maradona abdica de jogar com um homem de área, tendo Lisandro Lopez, Agüero e Milito no banco. A zaga é completamente lenta, com laterais em fim de carreira e zagueiros como Sebá. Maradona confia mais no seu carisma do que em seu time.
A seleção brasileira é forte com Dunga. Não é boa, quer dizer, eu não considero boa. Hoje, apostaria meu dinheiro no time de Dunga para a conquista da Copa do mundo, mesmo discordando de algumas posições e do modo que a equipe se apresenta.
Kaká é a grande estrela. Um jogador em êxtase, decisivo. Essencial na equipe, é ele que puxa os contra-ataques, única maneira com que a equipe sai para o jogo. Com um meio de campo apenas marcador, a seleção é dependente das arrancadas do jogador do Real Madrid. Dunga tem imensa sorte justamente por Kaká ser quem é.
A imagem que deve ficar na lembrança de todos é a expressão de Maradona, após o terceiro gol brasileiro. Nada melhor simboliza um fracassso e uma glória tão grandes como as de Argentina e Brasil, respectivamente.
Maradona está precisando novamente de uma mão divina.
Por Rafael Araújo
Torcer para o Arsenal é um paradoxo. Se por um lado é um grande prazer assistir ao jogos da equipe, ao mesmo é uma grande angústia. Joga-se bem, mas os títulos teimam em não vir. Desde o desmanche da geração de Henry, nenhum título signficante foi ganho. Até agora, nenhuma Champions League apareceu na sala de troféus do clube. Mesmo assim, futebol bonito nunca faltou. A plástica parece não querer casar com a eficiência.
É verdade que os jogos do Arsenal têm algo a mais. O jogo é mais corrido, mais jogado. Assim como foi no clássico contra o Manchester. Mesmo com o mando pertecente aos reds, o Arsenal dominou a partida desde o início. Enquanto isso, o United penava em sair para o jogo, mesmo com 5 jogadores no meio. Rooney, sozinho na frente, assistia ao clube londrino dominar a partida.
As chances iam nascendo aos poucos. Van Persie teve um chute certeiro interrompido por Evra. Arshavin sofrera pênalti minutos depois. Pelo bem do clássico, logo em seguida, o russo, que estivera apagado até então, recebeu de fora da área e chutou no ângulo, fazendo valer seu preço e status como ídolo.
O Arsenal voltou do intervalo com a mesmo domínio do jogo. A vantagem, que parecia estar consolidada, foi demolida por um pênalti mal marcado pelo árbitro. O gol de Rooney, não só completou a injustiça, como ajudou a esclarecer o que impede o Arsenal de sonhar mais alto.
O Arsenal criou as melhores chances, sendo superior em todos os setores do campo. Mas sentia muita dificuldade em finalizar em gol suas inúmeras chances. Motivos não faltam pra explicar a falha, a ausência de Fábregas é a mais usada como desculpa. Mas outros fatos ajudam a explicar isso:
- As jogadas são muito enfeitadas, provando a inexperiência do grupo, que prefere muitas vezes o drible ao chute.
- O talento de Arshavin não pode ser limitado ao lado esquerdo do campo, o russo jogaria bem mais centralizado, como meia de ligação.
- Van Persie, esse sim, é ponta, mas está jogando de centroavante, justamente pela equipe não ter um homem-gol.
Um motivo leva ao outro. E todos eles acabam levando em derrota nos jogos mais decisivos.
O Manchester se encontra em reformulação após a saída de Cristiano Ronaldo. A equipe mal conseguia sair jogando. Foi presenteada por uma má atuação do árbitro e por um gol-contra inacreditável feito por Diaby, superando em muito o feito por Oséias, no clássico Palmeiras e Corinthians, em 1998.
A derrota do Arsenal pode ser vista como injustiça por dois motivos: pela arbitragem, e pelo jogo em si, visto que o Manchester foi dominado em pleno Old Trafford. Alguns torcedores consideraram uma injustiça o gol bem anulado, no último minuto, anotado pelo impedido Van Persie. No futebol, clamam por justiça, mas, no fundo, todo mundo senta no banco dos réus. E não se sabe se o juiz não viu, ou se o ladrão é ele.
Por Rafael Araújo
Ontem, o Principado de Mônaco foi sede do sorteio de grupos mais aguardado do ano. 32 clubes, em oito chaves, dão início à luta pelo título do torneio de clubes mais qualificado de todo o mundo.
Sem nenhum grupo da morte, o sorteio marcou o reencontro de Kaká com o Milan e o duelo entre Ibrahimovic e Eto’o, que substituíram um ao outro, respectivamente, no Barcelona e na Inter de Milão.
Grupo A: Bayern de Munique, Juventus, Bordeaux e Maccabi Haifa.
O acaso fez um grande favor a Juventus de Turim. Depois de uma temporada na segunda divisão e uma volta discreta, novamente tem a chance de se mostrar grande. Com bons reforços, tem tudo pra ser primeiro no grupo. O Bayern, mesmo com Ribery, começa o ano em reformulação, com um treinador muito duvidoso (Van Gaal) e jogadores mais incertos ainda (Mario Gomez, Olic, Plajinic). O Bourdeax, campeão francês e com Gourcouff jogando muito, deve faturar a segunda colocação.
Prováveis classificados: Juventus e Bourdeax. Copa da Uefa: Bayern.
Grupo B: Manchester United, CSKA Moscou, Besiktas, Wolfsburg.
O melhor grupo, pra mim.O Manchester continua forte e deve passar em primeiro. A briga fica pelo segundo lugar, onde o Wolfsburg desponta como favorito. Porém, o CSKA é um dos times mais enjoados da Europa, que consegue ganhar quando ninguém acredita e perder campeonatos ganhos. O Besiktas é forte na Turquia e com Nihat, ex-Vilarreal, comandando o time.
Prováveis classificados: Manchester e Wolfsburg. Copa da Uefa: CSKA.
Grupo C: Milan, Real Madrid, Olympique de Marselha, Zürich
O grupo é relativamente forte e complicado. Em nenhuma previsão é comum tirar alguma força do tamanho de Milan e Real Madrid. Por incrível que pareça, o Olympique pode conseguir essa proeza. Com Didier Deschamps no comando, Lucho Gonzales no meio e Morientes no ataque, o time francês não pode ser descartado facilmente. Do lado do Milan, a renovação não aconteceu e a pré-temporada foi frustrante, caindo todo o peso nas costas de Ronaldinho Gaúcho, um jogador já satisfeito por tudo que conseguiu. Já o Real Madrid vem forte com a nova onda de galácticos, sendo favorito óbvio ao título. O difícil será superar a síndrome recente de sempre perder nas oitavas.
Próvaveis classificados: Real Madrid e Olympique de Marselha. Copa da Uefa: Milan.
Grupo D: Chelsea, Porto, Atlético de Madrid, APOEL
Carlo Ancelotti é um senhor no torneio. Campeão duas vezes, deve ser líder deste bom grupo. Atlético de Madrid, com Forlán e Aguero no ataque, tem time pra não fazer feio na competição. O Porto, que perdeu suas maiores estrelas, os argentinos Lisandro López e Lucho González, aparece muito mais fraco. A esperança fica voltada em Hulk, o que não me anima.
Prováveis classificados: Chelsea, Atlético de Madrid. Copa da Uefa: Porto.
Grupo E: Liverpool, Lyon, Fiorentina, Debreceni
Apesar do mau começo na Premier League, o Liverpool é sempre candidato a título da Liga. O Lyon empolgou na pré-temporada, Michel Bastos e Lisando López prometem. A Fiorentina espera que Frey salve lá atrás, e que Mutu encante na frente. Gilardino continua fazendo os seus golzinhos, mas sem chegar ao ponto de me convencer.
Próvaveis classificados: Liverpool e Lyon. Copa da Uefa: Fiorentina
Grupo F: Barcelona, Internazionale, Dynamo Kiev, Rubin Kazan
Barcelona e Inter prometem fazer o melhor duelo da fase de grupos. O Rubin é líder do Russo, podendo surpreender e conseguir a vaga pra Copa da Uefa.
Prováveis classificados: Barcelona e Inter. Copa da Uefa: Rubin.
Grupo G: Sevilla, Rangers, Stuttgart, Unirea Urziceni
O grupo mais fraco da competição. O Sevilla deve ser o primeiro do grupo. O Stuttgart conta com Hleb, que renegou a Inter e o Barcelona só pra voltar pra Alemanha. Em um grupo desses, sua estrela tem consideráveis chances de brilhar como se estivesse em Barcelona ou Milão.
Prováveis classificados: Sevilla e Stuttgart. Copa da Uefa: Rangers.
Grupo H: Arsenal, AZ, Olympiacos, Standard Liège
A sorte do Arsenal em sorteios já é característica. Todo ano, não importa como o time esteja, um grupo fácil cai no colo de Arsene Wenger. Curiosamente, esse é o único título que os gunners ainda não têm. O AZ, campeão holandês, pode fazer muito bonito esta temporada. E o Olympiacos, dos brasileiros Diogo e Leonardo, ambos gratas revelações da Portuguesa, deve ir pra Copa da Uefa.
Próvaveis classificados: Arsenal e AZ. Copa da Uefa: Olympiakos.
Com palpites até arriscados demais (tirar o Milan da segunda fase), prefiro me conter quanto aos candidatos diretos ao título. A temporada sequer começou para várias equipes e elencos ainda estão sendo formados, impossibilitando qualquer análise.
O torneio começa nos dias 15 e 16 de setembro, já com o confronto entre Inter e Barcelona, no Giuseppe Meazza. O melhor já está por vir.
Por Rafael Araújo
Por LUÍS FERNANDO VERISSIMO
Dizem que na Primeira Guerra Mundial, durante as tréguas de Natal, de uma trincheira se podiam ouvir as comemorações na trincheira inimiga.
Nos dois lados cantavam hinos cristãos e havia sermões e imprecações a Deus, que era o mesmo para os dois lados, mesmo que as religiões não fossem as mesmas.
Os capelães militares sempre tiveram a dura tarefa de convencer as tropas e a si próprios de que o Deus a que rezavam lhes daria a vitória.
Já que não podiam dizer que cada lado tinha o seu Deus e o deles era mais forte, inferiam que o Deus invocado era único, mas tinha seus gostos, e os preferia.
Deus torcia por eles, não importava o que dissessem os capelães do inimigo.
Não existem capelães com o mesmo problema no futebol, mas está implícita em toda mobilização de fé religiosa antes do jogo um pedido para que Deus favoreça um lado e não ouça o outro.
E em todo agradecimento para o alto depois de um gol ou de uma vitória, e em toda frase de exaltação a Jesus impressa numa camiseta, está implícito um reconhecimento da parcialidade de Deus.
Deus deveria ser banido dos campos de batalha para não se comprometer com a pior das atividades humanas, agravada pela hipocrisia, e proibido de entrar em campo de futebol para não arriscar sua reputação de isenção e fair-play.
A única função de Deus num campo de futebol deve ser a de evitar a perna quebrada e o mal súbito. E, está bem, dar uma fiscalizada no juiz.
Nada contra a fé de cada um.
Acreditar é bom e é bonito, e é claro que a maioria dos jogadores pede e agradece a Deus não vitórias, mas sua integridade física e seu sucesso pessoal, seja jogando no Palmeiras ou no Já Vai Tarde F.C.
Mas os jogos da seleção brasileira têm se transformado em verdadeiros bazares de ostentação religiosa.
Que algumas das marcas de fé exibidas são de picaretagens notórias nem vem ao caso.
As vitórias são publicamente creditadas a Jesus e sua bênção vitoriosa agradecida com fervor.
Imagino o constrangimento de jogadores e membros da comissão técnica que não são crentes, ou pelo menos crentes a esse ponto, obrigados a participar daquele círculo de oração de graças, ajoelhados, que tem encerrado as participações triunfais do Brasil em torneios internacionais.
Por coerência, o mesmo círculo deveria ser formado nos casos de insucessos brasileiros, para cobrar de Deus a mudança de trincheira.
O texto acima foi primeiramente exibido no blog do Juca Kfouri.
Indicado ano passado como melhor campeonato nacional do mundo, a Premier League conta com contratações modestas comparando com outros anos. Com exceção do Manchester City, onde continua jorrando dinheiro do petróleo árabe, os times preferiram manter a base. Baixas como Xabi Alonso e Cristiano Ronaldo tiveram como substitutos Aquilani e Owen, talentosos, porém, inconstantes devido aos números de contusões. Apostas que se juntam às estrelas certas como Drogba. Gerrard, Rooney e Fábregas, que ainda garantem a qualidade da Liga Inglesa.
Além dos grandes nomes remanescentes, ainda existe a qualidade de renovação dos técnicos na balança. O campeonato começa equilibrado justamente por isso, já que não se pode apontar com convicção quem consertará seu time primeiro. Como de costume, os quatro grandes são os favoritos, junto do enriquecido Manchester City e do bom Aston Villa. Todos os gigantes ingleses partem para o título com as boas possibilidades de título. Analisando um por um:
Arsenal: Assisti ao primeiro jogo, a goleada contra o Everton. O belo futebol característico só reforçou a ideia que, sem o Adebayor atrapalhando, tudo tem a fluir melhor. Jogaram no 4-5-1, com apenas Van Persie na frente, puxando os zagueiros para as pontas, abrindo espaço no meio para a chegada do meio. O que mais chamou atenção foi a posição de Bendtner, centroavante de ofício, deslocado para a ponta direita do meio do campo. Mais surpreendente ainda foi vê-lo jogando bem, com lampejos de habilidade. Fábregas também voltou a ser segundo volante.
Pontos fortes: toque de bola envolvente com ótima saída de bola(dois ótimos volantes jogando juntos: Denilson e Fábregas), entrosamento e Arshavin(maior aposta do time pelo talento).
Pontos fracos: Falta um goleiro, Almunia não convence (se bem que, até o Barcelona não tem goleiro). O time muito jovem tende a tremer em jogos decisivos, como vem sendo nos últimos anos. Ainda falta um centroavante, pelo menos como opção para jogos difíceis, aqueles que não dá pra entrar na área tocando a bola.
Liverpool: Alarme vermelho em Anfield Road. Após a estreia, o que poderia ser o início da quebra do jejum de anos, pode ter sido mais um anúncio que a prioridade será, novamente, a Champions League. Aquilani pode ser talentoso, mas não faz a mesma função de Xabi Alonso. Em meio a tantas incertezas, pode ser o ano da confirmação do ótimo Lucas.
Pontos fortes: os mesmos de sempre: a luta incessante, a torcida apaixonada e a personalidade em jogos decisivos. Fernando Torres e Gerrard brigam pelo título de craque da competição.
Pontos fracos: além da perda de Xabi Alonso e ainda faltar um companheiro de ataque para Fernando Torres, o clube pode parar nas suas próprias ambições. Com os candidatos mais enfraquecidos, seria a oportunidade de anos de uma conquista de título. Resta saber o que é importante para Rafa Benitez.
Manchester United: a vida sem dependência. Sem Cristiano Ronaldo, o Manchester não depende mais de ninguém. O time ainda tem belos jogadores, bom banco e um treinador vitorioso.
Pontos Fortes: a zaga, principalmente. Ferdinand e Vidic inspirados são intransponíveis. O ataque Owen e Rooney também promete infernizar as defesas inglesas.
Pontos fracos: quanto tempo Ferguson levará pra adequar o time sem Cristiano Ronaldo? Talvez o time precise de mais de uma temporada para se descobrir sem o português. Enquanto isso, a equipe entra forte nas competições, mas sem alguém que desequilibre.
Chelsea: mais uma mudança de treinador, mais uma vez as esperanças se renovam para o Chelsea. Dessa vez, Carlo Ancelotti, treinador vitorioso no Milan, principalmente, em Copa dos Campeões. Ancelotti nunca foi de dar muita importância para campeonatos nacionais, o que deixa o tom de dúvida no ar. O bom Zhirkov foi o único reforço.
Pontos fortes: não perdeu ninguém. Conta com a motivação de um treinador novo e um elenco já entrosado. Ainda tem um elenco repleto de boas opções (até demais).
Pontos fracos: é um grupo complicado, tanto que já derrubou Felipão. No meio de campo, conta com Deco, Lampard e Ballack para a mesma função, mostrando o exagero do elenco. Além disso, o time tem um estilo de jogo muito burocrático. Falta alguém que faça o inesperado no elenco. O último, Robben, já se foi faz dois anos.
Manchester City: Contrataram bem. Barry, sonho do Liverpool, deve dar lucidez ao meio de campo defeituoso. Toure pode fazer uma bela dupla com Richards, Shay Given é um goleiraço. No ataque, pra completar, vieram Santa Cruz, Tevez e Adebayor. Investimentos de quem quer ser, definitivamente, grande.
Pontos fortes: jogadores como Robinho, Tevez e Adebayor pretendem se firmar no cenário mundial como grandes jogadores. Devem dar o máximo pelo time até o final.
Pontos fracos: o técnico. Por enquanto, o Manchester City é apenas um grupo de bons jogadores. Falta muito para ser uma grande equipe, a começar pelo esquema tático.
O campeonato já começou. Alguma surpresa pode aparecer nos elencos, já que o mercado europeu ainda não foi encerrado. Com todos os argumentos expostos, o meu favorito é o Chelsea. Atualmente é o melhor elenco de todos.
Os gigantes já deram partida. Equivalentes de grandeza e em quase tudo, qualquer ponta de nariz pode fazer a diferença na chegada.
Por Rafael Araújo





Quem esperava o confronto da rodada deve ter se envolvido pelo sono depois do almoço. Inter e Barcelona, potenciais favoritos ao título da Liga, fizeram um jogo tão morno, que até Mauro Beting soltou em meio a transmissão da Band que todos os jogos da rodada tinham algo interessante acontecendo, menos no Giuseppe Meazza.
Dificilmente o primeiro lugar do grupo não será do Barcelona. Uma boa atuação pode ter ficado pra outrora, porém, ninguém duvida do poderio do melhor time da Europa. O resultado acabou saindo de bom tamanho, visto que o Barcelona tem todo o favoritismo para a partida de volta no Camp Nou.