Um novo Axl em um novo Guns

Um novo Axl em um novo Guns

Hoje, dia 23 de novembro. Hoje foi lançado o disco mais aguardado da história do Rock, intitulado Chinese Democracy. O disco trás de volta um dos maiores mitos do rock, o Guns N’ Roses, apenas com um membro oficial, o polêmico cantor Axl Rose.

Agora, a parte pessoal. Eu nunca acreditei nesse disco. Acompanhava as turnês desse ” New Guns” e todas as trocas de integrantes com o maior desprezo. O Guns que girava o mundo prometendo um dia voltar ao cenário da música, não tinha nada do que me fazia gostar do velho Guns. Faltava entrega, faltava competência, faltavam Duff, Izzy, Steven e Slash para ser Guns novamente.

Mesmo assim, não largava de ler as notícias e de baixar todas as demos que vazavam. Demos que sempre decepcionavam e faziam gostar cada vez mais do velho Guns.

Agora, com todas as versões finais disponíveis, tenho que dizer que esperava algo bem pior. Esperava algo catastrófico, mas vejo coisas boas no disco. Mas ainda existe uma diferença enorme do velho Guns para esse ” New”.

O disco começa com a faixa-título Chinese Democracy. Música essa, que melhorou consideravelmente em relação a demo. Uma boa guitarra-base transformou a música. A música que era irritante, agora virou de impacto e de fácil aceitação. Ficou mais pesada,e consequentemente, muito melhor.

Shackler’s Revenge dá continuidade ao disco com um ritmo que não me agrada nem um pouco. A música tem um refrão muito interessante, meloso e com backing vocals muito bem sincronizados. O problema é o decorrer da música até o refrão. A música soa como rock industrial, o que é irritante pra quem é fã de hard-rock. Fãs de Marilyn Manson certamente gostarão dessa faixa.

Better é o hit radiofônico do disco. Deve tocar nas rádios. Não gostava dela como demo, agora melhorou bastante. O coro no final ficou muito bonito, maneirando a agressividade da música. Ficou com cara de Guns, um dos pontos altos do CD.

Street of Dreams já era conhecida por todos os fãs com outro nome, ” The Blues”. Gostava mais da demo. Reduziram a parte do piano, o que tirou um pouco da graça da música. A música ganhava muito sentimento com o começo só com piano, agora é uma música como outras do disco, que priorizam solos de guitarra velozes, que de sentimento não tem nada.

Esperava algo mais da versão de If the world. Achava a demo até interessante, apenas mantiveram o mesmo estilo. Ela tem um estilo exótico que ainda me agrada, mas nada de impressionante.

There was a time ficou ainda mais chata que a demo. Parece copiar a November Rain em certos momentos, mas é muito cansativa.

Catcher in the Rye já era boa na demo, devido o solo da lenda Bryan May, do Queen. Tiraram o solo do cara, mas não conseguiram estragar a música. Continua muito interessante ouvir Axl no piano cantando uma boa música que não tenha exageros no instrumental. Grande acerto de Axl no disco. Um trecho da letra:

Você era o único
E aí?
Pegou o corpo
Deu ao garoto uma arma
Tirou-nos a inocência
Além de nossa condição
Algum tipo de momento
Está aí
Completamente só hoje, na cadeia

Scraped é uma música que começa engraçada. É realmente estranho aquele começo. Depois ela fica normal. Não é ruim, mas também não é boa. Rhiad N’ The Bedouins segue o mesmo caminho, é apenas mais uma pra encher o disco.

Sorry me impressionou desde a primeira audição. Mais uma vez, Axl no piano. Mais uma vez, uma boa letra inclusa. Boa canção.

IRS faz o Cd ficar chato de novo, é lenta e não acontece nada durante a música. Já era assim na demo e não se importaram em melhorar. Madagascar também não melhorou. Continua com o mesmo refrão irritante de antes. O engraçado é que o começo dela é enganador, quem começa a ouvir quer ouvir até o final. Mas desiste quando chega no refrão.

This I Love é a música mais querida por fãs, por enquanto. Demorei pra gostar dela, mas hoje a vejo como uma linda balada. Mais uma vez no piano! Axl não escreveu tão bem essa letra como escrevia antigamente, mas escreveu de uma forma muito bonita, sendo simples. O que impressiona mesmo é o instrumental, que oscila junto com a voz de Axl. Tocante.

Prostitute encerra o disco dando um pouco mais de peso, em um cd repleto de baladas. Na verdade, a música é uma balada, com a diferença de um refrão mais pesado.

Pergunte a si o que eu devo fazer para me prostituir
Para viver com fortuna e vergonha, oh yeah
Você deveria ter ligado para os corações daqueles que você não poderia salvar
Eu lhe disse quando eu lhe encontrei
Todas as quantidades é para o amor que você paga, para fortuna e fama

Gostei dessa música devido a letra. Isso lembra muito o Guns das antigas.

Depois de ouvir bastante o Chinese Democracy, ainda não tirei nenhuma grande conclusão sobre a banda. Não sei se vingará por muito tempo, não tenho idéia se o disco vai vender o tanto que se espera. Só posso dizer que é bom ouvir o Axl novamente e que ele ainda consegue fazer boas músicas. Mas ainda existem algumas imperfeições na banda de Axl. Os guitarristas ainda parecem atrapalhados na missão de substituir Izzy e Slash. Esses guitarristas dão um ar muito modernista ao som do Guns, que deveria ser nostálgico, já que os fãs são das antigas.

Me pergunto como o mundo vai receber o disco. Sem dúvidas, o som do ” New Guns” é melhor que a maioria das bandas que se ouve por aí. Porém, o risco de rejeição é enorme também, já que outra coisa que não se tem dúvidas é que essa banda de Axl mesmo já sendo maior que todas as outras do cenário atual do Rock, ainda é pequena em relação ao que o nome Guns N’ Roses já mostrou ao mundo.

Por Rafael Araújo